2 de Setembro de 2016

Autonomia e independência do idoso: qual a diferença?

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Um idoso, seu familiar ou cuidador, na convivência com profissionais da saúde – sejam médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos ou outros – pode ter dúvidas em relação a algumas das expressões utilizadas por eles no consultório. Nesse sentido, é muito comum confundir os termos autonomia e independência.

Embora pareçam similares, o significado de ambos faz bastante diferença na prática da manutenção da qualidade de vida dos idosos. “São conceitos fundamentais para a geriatria e a gerontologia”, explica o geriatra Daniel Lima Azevedo, do Rio de Janeiro. “Não é possível discutir envelhecimento sem levar em conta esses termos”.“Autonomia tem a ver com o discernimento e a capacidade de tomar suas próprias decisões”, explica Valmari Cristina Aranha, psicóloga do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Já independência está relacionada à capacidade funcional da pessoa. “Quem não é independente, precisa de ajuda para realizar suas atividades instrumentais da vida diária, como fazer sua própria comida, tomar banho sozinho ou vestir-se”.

É importante não confundir um idoso dependente e um idoso com depressão. “A pessoa com depressão consegue, do ponto de vista físico e funcional, realizar suas atividades sozinha. Não as faz porque psicologicamente não está bem e não encontra motivação para realizá-las. Isso não significa que ela seja dependente”, esclarece a especialista.AUTONOMIA – capacidade de gerenciar-se, tomar decisões e planejar seus objetivos. Tem relação direta com a aptidão mental da pessoa.

INDEPENDÊNCIA – capacidade de fazer suas atividades do dia a dia sem precisar da ajuda de terceiros. Tem relação com a habilidade física.Inter-relações entre autonomia e independênciaO idoso, portanto, pode ser autônomo e independente – como qualquer adulto –, mas também pode ser apenas um ou outro. “Uma pessoa com quadro de demência inicial pode ser independente e ainda conseguir fazer suas atividades funcionais sem problemas, mas a autonomia, sua capacidade de tomar decisões, já está comprometida”, explica Azevedo.

O oposto também é possível. “O idoso pode ser dependente fisicamente, estar em uma cama ou numa cadeira de rodas e ter a autonomia preservada, porque consegue decidir o que quer”, diz Valmari.Nesse último caso, os especialistas afirmam que o mais complicado costuma ser a relação dos familiares e cuidadores e o idoso. “A família, considerando a dependência física do idoso, tende a ter dificuldade de respeitar sua autonomia, como forma de proteção”, afirma Azevedo. Por esse motivo, tanto o geriatra quanto a psicóloga são categóricos em aconselhar: as famílias precisam aprender a separar bem as necessidades do idoso de acordo com sua capacidade de autonomia e independência.Respeito com o idoso: ele é um adulto.

Os familiares ou cuidadores que começam a ver o idoso como uma criança ou um não-adulto devem parar para refletir. “As pessoas precisam separar as coisas: por exemplo, não é porque meu pai depende financeiramente de mim que ele deixou de ser meu pai e não pode dar ordens”, diz Valmari.No dia a dia, o incentivo à autonomia passa pelo respeito com o idoso e por meio de atitudes simples.

A psicóloga exemplifica. “Se o idoso é dependente e precisa, por exemplo, de ajuda com o banho, mas tem a autonomia preservada, eu posso perguntar para ele em qual horário prefere tomar banho. Nem se eu der apenas as opções de agora ou daqui a meia-hora. De qualquer maneira, ele pode escolher e isso ajuda a preservar sua capacidade”.A importância de poder continuar decidindo é preservar a autonomia. “A partir do momento em que o idoso para de tomar decisões, ele se acomoda e, aos poucos, sua capacidade de escolha fica comprometida”, afirma a especialista.Portanto, sempre que o idoso for autônomo, respeite a escolha dele. “Mesmo que isso vá contra a vontade do familiar, como no caso da recusa a um tratamento ou um medicamento que ele não queira tomar”, diz o geriatra. “O familiar ou cuidador deve, junto com o médico, tentar entender as razões da escolha do idoso, mesmo que ela, aparentemente, pareça prejudicial ou arriscada.”

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