19 de Setembro de 2016

Auxiliares de marcha: andadores, bengalas e muletas – qual a diferença entre eles?

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Ainda cercado de preconceitos, o uso de equipamentos auxiliares de marcha pode devolver ou preservar a autonomia para muitos idosos com dificuldade – ainda que temporária – de andar ou de manter o equilíbrio. No entanto, com o aumento da qualidade de vida entre essa população, tem crescido, mesmo timidamente, a sensibilização quanto à importância desses aparatos para evitar quedas e afastar a possibilidade de perda da independência na terceira idade.“Esses equipamentos propiciam maior segurança para as atividades dentro e fora de casa, evitando que o idoso com algum problema de marcha isole-se das atividades de socialização externas”, afirma Ana Paula Loureiro, terapeuta ocupacional e sócia da consultoria Angatu IDH.

Os tipos mais comuns desses dispositivos são as bengalas, as muletas e os andadores, e sua indicação é feita individualmente. “Eles são necessários quando a pessoa apresenta algum distúrbio de equilíbrio ou tem restrição de descarga de peso em um dos membros inferiores, seja definitivamente ou por um certo período”, afirma o fisioterapeuta Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia e do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos). Esses casos são mais comuns em pessoas com artrose em um dos joelhos ou outras articulações dos membros inferiores, ou quando uma parte do corpo tem menor sensibilidade causada, por exemplo, por um acidente vascular cerebral (AVC). No caso de equilíbrio, uma série de doenças, como labirintite, podem ser a causa.

A indicação deve ser feita sempre por um fisioterapeuta ou médico, com o auxílio daquele profissional. Além da recomendação correta, é preciso que o equipamento seja adequado para o usuário de acordo com altura, peso e outras necessidades individuais. Por isso, não basta comprar uma bengala na farmácia ou usar a que foi herdada em família. Tampouco é suficiente adquirir o equipamento e sair usando. É preciso treino especializado.“O terapeuta ocupacional trabalha junto com o fisioterapeuta no treinamento do paciente.

É preciso analisar se a casa da pessoa tem tapete ou não, se tem degrau, se ela anda mais em ambientes planos ou inclinados. Enfim, é preciso analisar as atividades dentro e fora de casa para darmos a orientação correta que se adeque à rotina”, explica Ana Paula.

Depois de ter esses aspectos do dia a dia analisados, o terapeuta ocupacional ou o fisioterapeuta devem acompanhar o idoso para que ele utilize o equipamento da forma correta, sem criar vícios que podem prejudicar outras partes do corpo ou comprometer o equilíbrio.

Além de todas essas adaptações fisiológicas, Ana Paula reforça que é importante que o equipamento “tenha a cara do idoso”. “Ele pode personalizar o equipamento, escolher a cor ou customizá-la. O importante é que ele se sinta mais confortável com o novo dispositivo em seu dia a dia, pois isso facilita a aceitação do uso”. Os diferentes tiposFonte: Tiago da Silva Alexandre, fisioterapeuta, professor do Departamento de Gerontologia e do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos)Há vários tipos e possibilidades de equipamentos para marcha. No entanto, é estritamente recomendável que qualquer um deles seja indicado por um médico ou fisioterapeuta e que o paciente seja treinado para seu uso. A seguir apresentamos, resumidamente, os mais comuns:Bengalas – Recomendadas quando a necessidade de apoio é de apenas um membro inferior• Tradicional: reta, feita em madeira ou alumínio. Em madeira, precisa ser fabricada no tamanho correto ou pode ser cortada, caso seja maior que o necessário.

Em alumínio, pode ter a altura ajustada de acordo com a necessidade do usuário.• Com recuo (ou dobra): feita em alumínio, tem comprimento ajustável. • Com quatro apoios: permite uma descarga de peso maior. Como fica em pé sozinha, libera as mãos para outras atividades.Muletas – Quando o paciente necessita de apoio para um ou ambos os membros inferiores• Axilares: são as mais comuns. O apoio, como o próprio nome diz, é nas axilas. Permitem andar sem apoio nos membros inferiores, mas exigem força nos braços.

Se usadas de maneira incorreta, podem causar problemas de circulação sanguínea.• Canadenses (ou de antebraço): possuem uma espécie de “algema” aberta que ajuda no apoio e libera as mãos sem que a muleta precise sair do antebraço.Andadores – Quando o paciente necessita de apoio para ambos os membros inferiores• Tradicionais – Sem rodas: para pessoas com menor mobilidade e maior necessidade de descarga de peso.

No entanto, exigem certa força nos membros superiores para levantar o andador a cada passo.• Com rodas frontais: para quem não consegue levantar o andador tradicional e precisa de menor descarga de peso. Tem a desvantagem de as rodas reduzirem a estabilidade.• Com quatro rodas: para pessoas que não têm problema de equilíbrio.

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