1 de Setembro de 2016

Chegou a hora de institucionalizar o idoso?

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Mudar de moradia costuma ser um marco na vida de qualquer pessoa. Por melhor que seja a situação – um apartamento novo, uma casa maior –, uma mudança sempre deixa marcas na memória em relação ao antigo lugar e às expectativas do futuro lar. Só por isso já não seria fácil fazer as malas, reunir alguns bibelôs e artigos pessoais e partir para uma instituição de longa permanência.

Não é fácil para o idoso, tampouco para seus familiares. Mas dar esse passo é ainda mais complicado por todo o preconceito em relação a esses locais e também por conta da culpa que os familiares sentem quando optam por esse tipo de moradia para seus idosos.“É uma decisão muito difícil de ser tomada, porque raramente existe consenso entre todos os membros da família e o próprio idoso”, afirma a fonoaudióloga Luciane Teixeira Soares, diretora do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Estado de São Paulo (SBGG-SP).A psicóloga Cleofa Toniolo Zenatti, diretora de Atenção ao Cliente do Residencial Toniolo, concorda. “Não existe hora certa para isso e não há um momento em que todos fiquem felizes com essa decisão.

É sempre muito difícil”, afirma.Embora até os profissionais da área de Gerontologia concordem que o melhor para o idoso é ser cuidado em casa, nem sempre esta é a opção mais viável. Ainda que no Brasil não seja muito comum, em outros países, a decisão pode partir do próprio idoso, que prefere ir morar em um local mais seguro, onde terá companhia, amigos, atividades voltadas para ele e ainda assim manter sua independência.

Por outro lado, a institucionalização também pode ser a melhor opção dependendo do nível de dependência do idoso, se ele tem necessidade de atenção frequente, medicação e ajuda com as atividades básicas. Nesse caso, a presença de um cuidador é essencial – e um dos filhos, uma nora ou outro familiar normalmente acaba assumindo esse papel. “É preciso entender que nem sempre essa pessoa consegue ou quer deixar de lado sua vida profissional para cuidar do idoso. Ou, mesmo que o faça, não é fácil dedicar-se com exclusividade a esse tipo de cuidado e, com o passar do tempo, essa responsabilidade pode pesar demais”, diz Cleofa.

Dessa maneira, se o cuidador não está bem nesse papel, sente-se sobrecarregado, emocionalmente desgastado ou mesmo incomodado com um cuidador externo ou uma equipe de Home Care em sua residência, é hora de institucionalizar. “O idoso precisa ser bem cuidado e os familiares precisam reconhecer suas limitações e dificuldades, senão também adoecerão”, diz Luciane.

Por esse motivo, além de ser uma opção para os familiares que não dão mais conta de prestar esse cuidado ao idoso, a instituição de longa permanência também pode ser a primeira escolha caso o idoso precise de muitos cuidados de saúde. “Os familiares podem optar por instituições que tenham uma equipe de profissionais de saúde que estará dedicada aos cuidados com o idoso que tenha doença crônica, por exemplo, sabendo que ali ele estará mais bem assistido do que em casa”, explica a diretora da SBGG-SP.

Há que se levar em conta ainda a questão de que, se antigamente as mulheres não trabalhavam fora e o cuidado com os idosos tornava-se mais uma entre as tarefas domésticas, hoje a configuração familiar mudou muito. As habitações também se tornaram menores e nem sempre há um quarto vago no apartamento do filho para acomodar o pai idoso que ficou viúvo e precisa de cuidados.

No Brasil, essa dificuldade por parte dos familiares de idosos em optar por uma instituição de longa permanência ainda está ligada a um forte estigma das instituições como asilo ou depósito de velhos abandonados pelas famílias. “Essa é uma visão muito antiga, ligada a instituições que eram realmente muito ruins. Mas não é uma realidade geral. Hoje, as instituições devem ser vistas como uma escolha dentro do contexto de vida da família”, afirma Luciane.

Para abandonar o preconceito, é importante que o familiar e o idoso visitem a instituição e verifiquem as instalações, condições de higiene e a equipe de profissionais que ali atuam. Segundo Cleofa, as instituições antes conhecidas pelas péssimas condições são cada vez mais raras. “A fiscalização da Vigilância Sanitária nos locais que são regulamentados é bastante rigorosa, assim como o trabalho de orientação que eles realizam”, afirma. ILPI é definida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº283 (Brasil, 2005) como – instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinada a domicilio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade e dignidade e cidadania.WATANABE, Helena Akemi Wada y DI GIOVANNI, Vera Maria. Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI). BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.) [online]. 2009, n.47, pp. 69-71. ISSN 1518-1812.

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