10 de Janeiro de 2017

Como manter a autoestima no envelhecimento

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A maioria das mulheres reflete sobre a questão da autoestima em algum momento da vida. Em um país como o Brasil, em especial, em que se valorizam corpos curvilíneos, alguns quilinhos e medidas a mais ou a menos costumam ser motivo de insatisfação – ou, no mínimo, de questionamento – diante do espelho. Quando se soma a isso a preocupação com a idade, pode haver aí um problema para a autoestima da mulher.“Meus pacientes de 30 anos, em especial as mulheres, têm verdadeiro pavor de pensar em envelhecer.

Falam dos 30 anos como se estivessem fazendo 100”, diz a psicóloga Isabella Quadros, consultora em gerontologia. Isso acontece, segundo a especialista, porque, além da aparência, as pessoas têm a crença de que ao chegar na fase idosa não há mais nada a realizar.“Nosso país passa por um aumento da longevidade e, além disso, as mulheres vivem mais que os homens, então é preciso encontrar uma forma de viver bem”, diz Isabella. Se, por um lado, para as mulheres parece chocante envelhecer, a psicóloga diz que elas são as que acabam por enfrentá-lo de forma mais suave. “Por ter ciclos biológicos bem marcados, a mulher consegue refletir sobre as mudanças do seu corpo e relacionar com fases da sua vida.

Assim, psicologicamente, ela elabora melhor que o homem”, explica. Essa marcação biológica – menstruação, gravidez, menopausa – e os diversos papeis que a mulher assume ao longo da vida – filha, profissional, esposa, mãe, avó, entre outros – facilitam para que ela se “reinvente” mais uma vez. A autoestima como pano de fundoNo envelhecimento ou em qualquer outra fase da vida, a questão da autoestima raramente é vista como problema inicial. “As mulheres não vêm ao consultório com a queixa de que não têm autoestima.

Elas chegam com problemas no casamento, no trabalho ou insatisfeitas com a vida”, explica a psicóloga Simone Bracht Burmeister, mestre em gerontologia biomédica. “Apenas na terapia é que elas percebem que tudo é consequência da autoestima.”Simone destaca que as mulheres que viviam em função da beleza, como modelos, ou que eram muito elogiadas pela beleza na juventude, costumam ter mais dificuldade em aceitar as mudanças da idade. “São pessoas que não construíram sua autoestima interiormente. Sua aceitação era baseada na opinião dos outros, nunca precisou se esforçar para se gostar.

Quando os elogios começam a cessar, vem à tona a falta de autoestima”, explica.Por outro lado, aquelas mulheres que tiveram de lidar com pequenas questões de aparência, seja de altura – alta ou baixa demais – acima ou abaixo do peso, cabelo diferente do que gostaria, tendem a aceitar-se mais no envelhecimento. De qualquer maneira, como o envelhecimento é inexorável, a psicóloga diz que, embora seja difícil para muitas, é preciso aceitar as mudanças mostradas pelo espelho.“É um processo que pode ser complicado por conta de todas as exigências que a sociedade faz esteticamente para a mulher”, afirma. “Nada impede de fazer uma cirurgia plástica e pintar o cabelo, mas tem gente que exagera porque não se aceita”.Além do exercício de olhar-se no espelho e aprender a admirar o que vê ali – com suas marcas e mudanças –, a especialista diz que a mulher deve procurar usar roupas que a façam sentir-se bonita, a ajeitar o cabelo de uma maneira diferente, entre outras atitudes que possam realçar sua beleza, que está ali independentemente da idade.

Beleza na experiênciaAs mulheres que conseguem aceitar sua beleza, ainda que seja diferente daquela da juventude, ganham muito mais do que apenas a satisfação ao olhar no espelho. “A partir do momento que ela busca autoconhecimento, ela fica mais segura para tudo, para se relacionar com os outros e com seu próprio corpo para saber como buscar prazer”, explica Isabella. “Se a mulher respeita seus sentimentos e seus quereres, ela envelhece sentindo-se plena”.Ainda que o cenário no Brasil seja difícil para a mulher por conta das cobranças estéticas, as psicólogas começam a ver um movimento que indica mudança na maneira de ver o envelhecimento. “Há muitas mulheres hoje assumindo o cabelo branco, outras usando saias curtas sem se importar com a idade. Temos um caminho longo de aceitação das mudanças que vêm com o envelhecimento, mas acho que caminhamos de forma positiva para isso”, afirma Simone.

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