13 de Maio de 2017

Cuidadores de Idosos lidam com Incontinência Urinária

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O aumento da longevidade no Brasil e o envelhecimento da população são movimentos que apontam para a ascensão da importância de um profissional ainda sem regulamentação para exercer seu ofício – o cuidador de idosos. Atualmente, para exercer essa função, o cuidador tem seu registro como trabalhador doméstico. Isso não o impede de trabalhar, mas a falta de regulamentação faz com que a formação desse profissional não seja obrigatória e essa seja uma questão negligenciada na hora de contratar.

Muito mais do que um simples acompanhante, espera-se que o cuidador de idosos tenha ao menos noções básicas das condições mais comuns que acometem os pacientes de quem ele cuidará. Um desses problemas é a incontinência urinária, presente em 5% da população mundial e que, entre idosos, atinge duas vezes mais mulheres. A incontinência é uma circunstância difícil para o paciente. E se o idoso é dependente, a situação se complica ainda mais, porque ele dependerá de alguém para realizar a troca de fraldas e a limpeza dos órgãos genitais. “Essa condição costuma deixar os familiares muito constrangidos, pois implica na relação inversa com os pais. O filho passa a trocar fralda do pai e da mãe e essa não é uma situação fácil, o que os leva, quando têm condições financeiras, a contratar um cuidador”, diz Marília Berzins, presidente do Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento (OLHE).Seja um profissional contratado ou o familiar, quem assume os cuidados de um idoso dependente com incontinência precisa saber que não basta trocar a fralda de vez em quando.

É preciso conhecer o básico sobre a condição de saúde que torna obrigatório o uso desse produto. O Grupo Apoio, que realiza um curso de orientação para cuidadores com apoio da SCA, tem, entre os participantes, uma grande maioria formada por familiares. Embora a proposta não seja formar cuidadores, o grupo, liderado pela psicóloga Elizabeth Vasconcellos, especialista em Gerontologia, aborda as principais questões e problemáticas ligadas ao envelhecimento, entre elas a incontinência. “É um assunto que atrai muito interesse dos participantes e sobre o qual eles têm pouquíssimo conhecimento”, conta.

No curso do Apoio, uma enfermeira especialista em incontinência urinária explica o que é incontinência e apresenta os diferentes tipos de produtos – cujo tamanho e modelo dependem da condição física e do volume de escape de urina do paciente. “Muitos idosos podem usar absorventes menores e que não parecem fraldas. Isso tira o estigma em relação ao produto e faz com o que paciente sinta-se mais seguro”, diz Elizabeth. O primeiro ponto, portanto, é saber auxiliar o paciente na escolha do produto mais adequado.

Já os cuidadores formados pelo OLHE são convidados a experimentar os absorventes e as fraldas por um período. “Recomendo o exercício porque isso faz com que eles se tornem mais solidários em relação a seus pacientes”, orienta Marília. A partir da experiência pessoal, os cuidadores ficam mais alertas para realizar a troca da fralda assim que ela for utilizada, já que a sensação de ficar com a urina concentrada no produto – ou, em alguns casos, até mesmo fezes – não é nada agradável.

Além do incômodo, o uso contínuo da fralda combinado à baixa frequência de troca e à sensibilidade da pele dos idosos pode levar à dermatite associada à incontinência (DAI). Ela pode começar com uma vermelhidão na pele e dor, reconhecida como uma “assadura” e, considerando a fragilidade da pele do idoso, pode evoluir com complicações, como, por exemplo, infecções locais. Para prevenir a DAI, é necessário ficar atento à limpeza da região, hidratação da pele e adequada proteção.Além dos aspectos práticos e da saúde em relação à incontinência urinária, Marília diz que o cuidador, por estar lidando com a intimidade do corpo do paciente, também deve ser formado quanto a aspectos éticos. “A formação do cuidador para lidar com a incontinência não pode deixar de lado o respeito pelo ser humano e por sua autonomia”, afirma.

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