20 de Fevereiro de 2017

Demanda por cuidadores de idosos só aumenta no país

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No Brasil há cerca de 6 milhões de trabalhadores domésticos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são de dezembro de 2016, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Dentre esses 6 milhões, alguns se declaram cuidadores de idosos ou acompanhantes de idosos. Por não ser ainda uma profissão regulamentada, não há registros exatos de quantos são esses profissionais que cuidam das pessoas mais velhas. Atualmente, eles seguem a legislação dos trabalhadores domésticos.

Hoje, na população brasileira, há cerca de 25 milhões de idosos, dos quais, segundo a assistente social e especialista em Gerontologia, Marilia Berzins, do OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento), cerca de 25% a 30% necessitam de cuidados de terceiros. Isso significa que seriam necessários mais de 7 milhões de cuidadores, entre familiares que assumem a tarefa para si e profissionais contratados.“Essa demanda só tende a crescer, acompanhando o número de idosos”, diz Naira Dutra Lemos, assistente social e especialista em Gerontologia, responsável pelo Ambulatório para Cuidadores da Disciplina de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

A conta, portanto, não fecha. A demanda é muito maior e só tende a aumentar. Para suprir a falta de cuidadores, os familiares acabam assumindo os cuidados com os idosos, mas nem sempre essa seria a melhor opção, já que é preciso ter alguém dedicado e que, por vezes, deixa de trabalhar para assumir o papel.A regulamentação da profissão de cuidador está em tramitação via Projeto de Lei 4.702/2012. Se aprovado, o cuidador deverá ter mais de 18 anos e ensino fundamental completo. O projeto de lei também prevê que o trabalhador passe por uma formação mínima presencial ou semipresencial.

“A regulamentação é essencial para que se possibilite a adoção de um piso salarial”, explica Naira. “No entanto, a situação é complicada, porque na maioria das vezes a contratação de cuidadores onera consideravelmente o orçamento familiar, considerando os valores médios de aposentadoria ou outras fontes de renda de idosos”. Por isso, o ideal, segundo a especialista, seriam mais opções de cuidados por parte do poder público. Cursos de formaçãoNa falta de profissionais capacitados ou se o dinheiro não permite pagar um cuidador, quem assume o papel costuma ser um familiar ou o companheiro/companheira do idoso mais dependente. “As pessoas têm uma sede muito grande por conhecimento para cuidar dos idosos”, afirma a psicóloga Maria Elizabeth Bueno Vasconcelos, especialista em Gerontologia, e coordenadora do “Curso de Capacitação e Orientação para uma Vida mais Saudável”. O curso não se propõe a formar cuidadores, mas a dar orientações tanto para aqueles que cuidam de familiares idosos informalmente, bem como para cuidadores, já que aborda temas relacionados ao universo do envelhecimento.

Em 2011, quando o curso coordenado por Elizabeth teve início, as turmas eram formadas por 35 alunos. Em 2016, o último grupo contou com 200. Desde então, mais de 2.500 pessoas passaram pelo curso, somente em São Paulo. O OLHE, por sua vez, que promove cursos de formação para cuidadores, já formou mais de 600 pessoas desde 2011 em cursos de três meses, com aulas duas vezes por semana. Outros cursos de formação de cuidadores, oferecidos por instituições como o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e o Sesi (Serviço Social da Indústria), têm fila de espera.No Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o registro de especialidade é opcional para os profissionais.

No entanto, tem crescido o número de profissionais com especialidades voltadas à área de geriatria e gerontologia que solicitam o registro na entidade. Em 2009 foram apenas 5 e, em 2016, 22. Opções públicasAinda que de maneira restrita, aumentam as alternativas de serviços públicos voltados aos cuidados com os idosos. No estado de São Paulo, segundo a Secretaria do Desenvolvimento Social, há 55 centros-dia para atendimento a idosos semidependentes cuja família não tem condições de prestar cuidados em casa, pois os membros precisam trabalhar.

Outros estados, como Goiás, Rio de Janeiro e Acre também possuem serviços similares, ainda que em menor escala.Na capital paulista, há ainda o Programa Acompanhante de Idosos (PAI), da Associação Saúde da Família (ASF), instituição não governamental e filantrópica em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. Seu objetivo é inserir o idoso em programas assistenciais da prefeitura, como centro-dia, centro de convivência, atendimento domiciliar e unidades básicas de saúde. O principal diferencial é instituir um cuidador público para acompanhar o idoso dependente, caso a família tenha necessidade.

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