30 de Setembro de 2016

Dermatite Associada à Incontinência: um problema evitável

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Idosos com incontinência fecal ou urinária estão mais expostos a lesões na pele que podem ser combatidas com boa limpeza, hidratação e proteção da região genital. Em idosos que usam fralda não é incomum o surgimento de lesões na pele nas regiões genital e anal. Embora ainda não existam estudos conclusivos sobre a prevalência da dermatite associada à incontinência (DAI), um estudo da Universidade Estadual de Maringá aponta que a chance de um idoso institucionalizado e em uso de fralda apresentar dermatite é de 5,7% a 27%.“O idoso tem pele mais frágil e sensível, portanto com maior risco para lesões, particularmente a DAI, processo inflamatório da pele que pode atingir nádegas, parte interna das coxas, genitais e região mais baixa do abdome”, explica a enfermeira Maria Alice Lelis, consultora da SCA do Brasil.A DAI, antes conhecida como “dermatite de fralda”e popularmente chamada de assadura, pode ser causada pelo maior contato da pele com fezes ou urina, portanto, acomete mais os idosos com incontinência.

Para prevenir as lesões, são três passos básicos: limpeza, hidratação e proteção. A primeira providência para prevenir as lesões, portanto, é evitar o contato prolongado de urina e fezes com a pele do idoso. Dessa forma, usar fraldas com maior capacidade e velocidade de absorção ajuda bastante. “Os produtos mais atuais possuem gel superabsorvente e sua capacidade de absorção está relacionada à quantidade e qualidade do gel utilizado em sua fabricação”, explica a enfermeira.

Outro ponto a ser observado é em relação à cobertura externa da fralda. Hoje já estão disponíveis no mercado produtos com cobertura suave na qual não é usado plástico, mas um tecido respirável na camada externa. Além de proporcionar mais conforto, o material permite maior transpiração da pele e a diminuição do calor local, contribuindo diretamente para diminuir o risco de DAI.

Feita a escolha do melhor produto a ser utilizado, recomenda-se que a troca de fralda seja feita de acordo com a necessidade individual, para urina e, no caso de fezes, a cada eliminação. E, a cada troca, é essencial realizar uma boa higiene local, sempre lembrando que esta higiene deve ser realizada de forma suave, com movimentos “de frente para trás” a fim de não levar resíduos de fezes da região anal para o canal da urina (uretra), minimizando assim o risco de infecções urinárias.

Para essa tarefa, pode ser usado algodão embebido em água, mas a recomendação é que sejam utilizadas as toalhas umedecidas para adultos, pois além de limpar, ajudam a hidratar a pele. O uso de sabão em barra ou produtos antibacterianos é desaconselhado porque podem ressecar a pele e provocar rachaduras.

Como forma de proteção, recomenda-se o uso dos chamados “creme barreira”, que são hidrofóbicos (repelem líquido) e formam uma película na pele, não permitindo que resíduos fecais e urinários fiquem aderidos à pele e impedindo a agressão por esses agentes irritantes. É importante que esses cremes não sejam tirados totalmente a cada troca de fralda, pois a tentativa de removê-los por fricção pode aumentar a lesão e a sensibilidade local.Fatores agravantes e tratamentoIdosos com incontinência fazendo uso de antibióticos, de alimentação enteral (por meio de sonda ou ostomias) e que apresentam fezes mais líquidas têm maior chance de desenvolvimento de dermatite mesmo com as medidas preventivas.

Uma vez que o paciente esteja com dermatite, o risco é alto para desenvolver infecções como candidíase e outras causadas por bactérias como Streptococcus e Staphylococcus – daí a necessidade de reconhecimento precoce das lesões de dermatite e um intensivo cuidado com a prevenção.

Por se confundir com outras possíveis lesões da pele, o diagnóstico da DAI nem sempre é fácil de ser feito. O ideal é que o cuidador, ao perceber que a pele na região genital, anal ou das coxas está diferente, procure um profissional da saúde para que possa ser feito o diagnóstico correto e indicadas as ações de proteção e cuidado com a pele.

O médico ou o enfermeiro especialista também poderão, eventualmente, indicar o uso de dispositivo fecal para isolar o contato das fezes com a pele, em especial em episódios de diarreia.Nos episódios mais graves que podem envolver medicação antifúngica e corticoide, em especial nos casos em que há infecções secundárias, o tratamento é indicado por um médico.

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