30 de Setembro de 2016

Em quais casos de incontinência urinária a cirurgia é indicada?

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Ainda não há estudos que abranjam a população brasileira a respeito da prevalência da incontinência urinária entre os idosos. No entanto, tanto em pesquisas regionais como estrangeiras, os números apontam que as mulheres são as mais acometidas por esse problema e, acima dos 60 anos, têm probabilidade duas vezes maior do que os homens de terem algum tipo de incontinência, segundo a Sociedade Internacional de Incontinência (ICS).A preferência de tratamento segundo os especialistas é, em princípio, o conservador. Isso significa tentar resolver a incontinência com o uso de medicamentos e reabilitação do trato urinário, que inclui exercícios do assoalho pélvico e modificações comportamentais.

No entanto, em alguns casos, a cirurgia já pode ser a primeira indicação. “O tratamento depende do tipo e da gravidade da incontinência que o paciente apresenta”, afirma o urologista Emil Hacad, médico da Clínica ECH Saúde e do Hospital Israelita Albert Einstein.

O médico explica que, em fases leves a moderadas de incontinência de urgência, de esforço ou mista, o tratamento deve ser medicamentoso e com exercícios para fortalecer o músculo do assoalho pélvico. Nos casos de incontinência de urgência grave, ele destaca a aplicação de toxina botulínica na bexiga ou a colocação de uma espécie de marcapasso, chamado neuromodulador, que auxilia no controle do trato urinário.Já para pacientes com incontinência de esforço grave, o recomendável, na maioria dos casos, segundo o urologista, é o uso de um sling, espécie de cinta que sustenta a uretra, ou ainda a colocação de um esfíncter artificial, que funciona como um aparelho de pressão que envolve o canal da urina.

Embora todos esses métodos já tenham segurança comprovada, qualquer que seja o procedimento cirúrgico, é necessário que o médico faça uma avaliação muito individualizada do paciente. “A cirurgia de sling, por exemplo, deve ser indicada com cautela para mulheres com a vagina muito ressecada pela falta de hormônios que acontece com o envelhecimento, porque pode haver rejeição da tela”, diz Hacad. “Já as cirurgias de colocação de esfíncter artificial requerem que o paciente tenha capacidade de entender como manipular o sistema para ativar e desativar o manguito ao redor da uretra”.

No caso da aplicação da toxina botulínica, o paciente pode apresentar alguma retenção urinária após o procedimento e necessitar, dessa maneira, de sondas na bexiga até que ela volte a funcionar normalmente.A melhor escolha As opções cirúrgicas existem e são seguras, bem como a reabilitação feita por profissionais especializados. No entanto, o desejo e o bem-estar dos pacientes deve ser levado em conta pelo médico na indicação do tratamento, especialmente entre as mulheres.“É importante considerar a satisfação da paciente. Uma mulher com uma perda moderada pode se sentir extremamente incomodada e não aceitar o tratamento fisioterápico, preferindo partir para a cirurgia.

Outra, com a mesma quantidade de perda urinária pode satisfazer-se com uma melhora, ainda que discreta, por meio de reabilitação com fisioterapia”, explica o urologista João Luiz Amaro, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia seção São Paulo e professor titular da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho).No homem, a causa mais comum de incontinência é a lesão no esfíncter ou um processo inflamatório cicatricial causado por cirurgias de próstata, em especial a de câncer de próstata. Outras causas podem ser doenças neurológicas. Após a realização dessa cirurgia, a chance de que o homem venha a ter incontinência varia de 19% a 80%, segundo Amaro.

Normalmente, o indicado é esperar um período de um ano pós cirurgia para só então ser considerada a intervenção cirúrgica de correção da incontinência. Mas, mais uma vez, depende do paciente. A perda involuntária de urina não costuma ser bem tolerada pelos homens após a cirurgia. Em casos bem selecionados, a correção pode ser indicada antes de um ano para aliviar o desconforto pessoal e social que a incontinência pode causar.Reabilitação do Trato Urinário A enfermeira Patrícia Fera é doutora em Ciências e trabalha com reabilitação do trato urinário. No seu dia a dia, 90% dos pacientes são homens com incontinência pós cirurgia de próstata. “Na maioria dos casos, a incontinência começa a diminuir três meses após a intervenção cirúrgica.

No entanto, o que tenho observado na minha prática clínica e estudos indicam, que a reabilitação antecipa o retorno da continência”, explica a especialista.A reabilitação do trato urinário pode ser indicada em homens e mulheres inclusive de forma preventiva para fortalecimento do assoalho pélvico. “Mesmo as mulheres que receberam tratamento medicamentoso e cirúrgico para a incontinência urinária podem realizar os exercícios para o assoalho pélvico, não há contra indicações”, explica Patricia.Os tipos mais comuns de incontinência urináriaFonte: Emil Hacad, médico urologista da Clínica ECH Saúde e do Hospital Israelita Albert Einstein• Esforço – A perda urinária acontece após pequenos esforços como tosse, exercícios físicos e, em casos mais graves, no movimento de levantar-se de uma cadeira, por exemplo. Esse tipo está relacionado à perda da força de contração dos músculos de sustentação do períneo.

Tem como causa, nas mulheres, as múltiplas gestações e partos normais, bem como alterações hormonais durante o envelhecimento feminino. Nos homens, é uma possível consequência, normalmente passageira, do tratamento cirúrgico para câncer de próstata.• Urgência – Caracteriza-se por uma contração involuntária da bexiga. Diretamente relacionada ao envelhecimento desse órgão, ocorre em 17% dos idosos, independentemente do sexo. Pode ser causada por doenças neurológicas, entre elas, a doença de Parkinson.• Mista – Associa as incontinências por esforço e por urgência. • Por transbordamento: Ocorre quando a pessoa perde a sensibilidade da bexiga e começa a sofrer perda de urina quando o órgão está muito cheio. É causada mais comumente por doenças neurológicas e diabetes de longa data sem os devidos controles.

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