21 de Dezembro de 2016

Enfermeiro ou cuidador de idosos ?

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A população brasileira está envelhecendo e até 2050 haverá mais idosos do que jovens no país. Isso não significa que o Brasil esteja preparado para cuidar desse contingente da chamada terceira idade. Faltam serviços públicos específicos e o número de geriatras ainda é muito baixo. Por esse motivo, poucos familiares sabem onde buscar ajuda quando percebem que seu parente idoso precisa de um cuidado que eles já não podem oferecer, seja porque não estão preparados tecnicamente, por falta de tempo ou de estrutura familiar.

Na hora em que os familiares se dão conta de que é preciso contratar alguém para ajudar nos cuidados ao idoso, surge a primeira questão: que tipo de profissional é necessário contratar? Um cuidador de idosos ou um enfermeiro? “A escolha depende única e exclusivamente das necessidades do idoso”, explica Ceres Ferretti, enfermeira especialista em pacientes com demência. Ou seja, é necessário saber exatamente o tipo de serviço ou ajuda que o idoso precisa antes de definir o perfil do profissional. “Uma pessoa que era totalmente independente e fazia tudo sozinha, com o decorrer da idade, de repente se vê com algum grau de dependência”, diz Cláudia Vallone Silva, enfermeira e uma das coordenadoras de curso da Apoio Capacitação para uma Vida mais Saudável.

O grau de dependência varia para cada idoso, depende de sua condição física e cognitiva e pode piorar com o avançar da idade, passando de leve a moderada para grave, especialmente em pessoas com algum tipo de demência. Na dependência leve, o idoso costuma se confundir com os horários para tomar medicamentos ou com a dose de cada um deles; pode precisar de algum tipo de auxílio no banho, ajuda para preparo e realização das refeições. Nesse caso, para realizar essas tarefas, conforme explicam as especialistas entrevistadas, não é necessário qualquer conhecimento técnico ou especializado. Portanto, um cuidador seria o profissional adequado. “Costumo dizer que o cuidador é um anjo da guarda”, comenta Cláudia. “É aquela pessoa que ajudará nas tarefas básicas e será uma boa companhia, encorajando o idoso a conversar e a realizar atividades que possam estimular a função cognitiva.” Por ser um trabalho sem exigência de conhecimento especializado e técnico, o cuidador tem um salário menor que o profissional da área de saúde – seja enfermeiro ou técnico. Ainda não é uma profissão regulamentada, mas é reconhecida na Classificação Brasileira de Ocupações e está protegida pela lei do trabalhador doméstico.

Como tal, deve ter carteira assinada e não pode receber menos do que um salário mínimo mensal. A não necessidade de conhecimento técnico específico não exime esse trabalhador de algumas responsabilidades que vão além do cumprimento das tarefas de cuidados diários. Por isso, a enfermeira Ceres destaca a importância de os cuidadores realizarem cursos específicos. “Não é porque não precisa de conhecimento técnico que eles não precisam ser orientados a respeito de ética, comportamento e profissionalismo”, diz. Com isso, a consultora quer dizer que os cuidadores devem ser orientados a não fumarem na residência, não usarem o celular todo o tempo, muito menos ficarem sentados vendo TV. “É um trabalho como outro qualquer.

Não é porque trabalham em uma casa de família que podem ser menos profissionais”, afirma. Além disso, Claudia acrescenta que o cuidador precisa ter sempre em mente a história daquele idoso que está sob seus cuidados. “Ele precisa perceber sua missão como profissional, que é reconhecer que, embora aquela pessoa possa estar fragilizada no momento, é um adulto com vontades próprias e preferências”, orienta. Profissional da saúde Quando o idoso precisa de algum cuidado mais específico, o cuidador já não é o profissional mais indicado, ou não o único. “Um idoso mais fragilizado que não consegue andar sozinho, por exemplo, não pode ser levado por um cuidador para uma caminhada.

Já é necessário um profissional que saiba prestar atendimento caso ele sinta-se mal com uma queda de pressão ou de glicemia”, explica Ceres. Outros procedimentos que podem até parecer simples, mas que a enfermeira alerta que precisam de cuidados específicos são, por exemplo, movimentar o idoso da cama para a cadeira de maneira adequada, sem fazer tração muscular; recolocar sondas nasogástricas e curativos em feridas. “Tudo isso precisa de um profissional com formação especializada, por isso a necessidade de ter um técnico de enfermagem ou enfermeiro presente”.

O mesmo vale para manipulação de medicamentos e diluição e, obviamente, aplicar injeções. “Muita gente leiga acha que pode aprender a fazer isso. Se realizar o procedimento e algo der errado, ela terá de responder por ele, já que não tem respaldo legal para realizar isso”, diz a enfermeira Ceres. Portanto, em alguns casos, o profissional da área de saúde é o único que pode oferecer certos cuidados aos idosos. “Dependendo do caso, o cuidador pode ser o responsável a maior parte do tempo, com visitas de um enfermeiro para analisar a situação geral do idoso, verificar o risco de úlceras por pressão e repassar uma sonda vesical, por exemplo”, explica Ceres. Na maioria das vezes, um técnico de enfermagem pode realizar os procedimentos que precisam ser feitos em casa, desde que a orientação prévia tenha sido feita por um médico ou um enfermeiro. Em resumo, o trabalho do enfermeiro, do técnico de enfermagem e do cuidador não competem. Ao contrário, são complementares e essenciais para o bom cuidado ao idoso.

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