5 de Setembro de 2016

Games para manter a capacidade cognitiva em dia

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Tudo o que exercita o cérebro faz bem. Por isso, os games deixaram de ser diversão só da criançada e de (alguns) adultos e começaram a ganhar fãs entre a terceira idade – com o aval dos profissionais de saúde. “Jogar é positivo para os idosos e para pessoas de qualquer idade, porque estimula e aumenta o número de conexões neuronais”, afirma a neuropsicóloga Gislaine Gil, coordenadora do Programa Cérebro Ativo do Hospital Sírio-Libanês.

No entanto, assim como para as crianças, essa não deve ser a única atividade de um idoso se o objetivo for trabalhar a plasticidade cerebral. “Quando se joga, acontece a estimulação de uma área específica do cérebro, conforme o estilo e a proposta do jogo. Assim como quando se faz palavras-cruzadas exercita-se outra região cerebral. Por isso a importância de diversificar as atividades, seja o adulto ou a criança”, explica a especialista.A estimulação cerebral é diferente de acordo com o que o game – ou qualquer outra atividade – exige. Um jogo no estilo Genius, por exemplo, que demanda a memorização de cores, trabalha a atenção visual, diz Gislaine. Já um jogo da memória que propõe a combinação dos pares estimula a memória imediata. “O que questionamos em termos de games”, diz a neuropsicóloga, “é que são raros os que têm representatividade para contribuir a diminuir as queixas do dia a dia dos idosos”.

Ou seja, não há games que trabalhem especificamente os problemas mais comuns enfrentados no envelhecimento, como esquecer onde guardou as coisas ou a baixa capacidade de lembrar o nome de pessoas. “O mercado de games para idosos ainda é muito pequeno, mas há algumas experiências em teste dentro e fora do Brasil”, diz Fabio Ota, fundador e CEO da IS Games.

Ota tem usado sua expertise e, junto com profissionais da área de gerontologia, trabalha para inserir os idosos no universo dos games de variadas maneiras. Além de dar aulas para que eles aprendam a jogar, também tem ensinado muitos deles a desenvolver jogos.Usando uma metodologia diferente da tradicional, Ota começa com a parte prática para depois ensinar a teórica. “As crianças não têm medo de errar, já os idosos travam com o erro. Por isso oriento que, ao errar, procure descobrir sozinho o que aconteceu. Se não conseguir, peça ajuda aos colegas e só depois eu entro em ação. Normalmente eles resolvem entre eles, porque com o game é possível testar imediatamente o comando feito e eles ficam mais satisfeitos sem a interferência do professor”, explica.

Segundo Ota, além de games feitos por eles, o resultado é o aumento da autoestima. “Eles levam o jogo para casa e divertem-se com os netos. Voltam contando que as crianças ficam admiradas e orgulhosas porque foram os avós que construíram o game”, conta o profissional.

As aulas têm feito tanto sucesso que, a partir de agosto de 2016, Ota e sua equipe multidisciplinar farão uma pesquisa, com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sobre os benefícios dos games na prevenção do Alzheimer e de outras doenças cognitivas.

O futuro dos jogosEm poucos anos, a geração que estará na terceira idade será aquela que teve já contato inicial com os games na infância. Isso talvez faça com que aumente a oferta de games feitos por idosos e para eles. No entanto, ainda que incipiente, algumas iniciativas já começam a despontar no mercado voltado ao público 60+, em especial, no auxílio à reabilitação após AVCs (acidente vascular encefálico) ou outros problemas de saúde que afetam o sistema cognitivo.A neuropsicóloga Gislaine conta que há jogos que simulam uma compra no supermercado, fazendo com que o idoso se lembre o que é preciso comprar, em qual prateleira se encontra o produto e o preço. “Ao trabalhar com questões reais e cotidianas, o jogo ajuda realmente em situações nas quais o idoso pode ter dificuldades”, explica.Outro jogo que também tem contribuído na reabilitação de pessoas pós AVC ou traumatismo cranioencefálico faz imagens fotográficas da residência do idoso e transporta a moradia dele para a tela do computador. A partir desse ambiente, ele é desafiado a procurar objetos e a guardá-los, treinando virtualmente o que ele faz dentro de casa. “Acredito que teremos, em poucos anos, muitas opções de games feitos por equipes multidisciplinares, unindo programadores e profissionais da saúde para trabalhar diferentes aspectos da cognição”, afirma a neuropsicóloga.

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