21 de Dezembro de 2016

Idosos cuidando de idosos: uma tendência

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O aumento da expectativa de vida e a reconfiguração das famílias, atualmente com menos filhos do que costumava ser no passado, têm feito com que muitos idosos assumam a função de cuidar de outros idosos mais velhos. Além dos filhos com mais de 60 anos cuidando de pais octogenários, tem sido cada vez mais comum a esposa que cuida do esposo (e vice-versa) em idade avançada ou irmãos sem filhos que se apoiam mutuamente na terceira idade. Esse cenário tem suas consequências – com o passar do tempo, se o idoso cuidador não fizer nada por sua saúde, acaba adoecendo também e a situação familiar torna-se ainda mais complicada.

A boa notícia é que algumas iniciativas, ainda que pontuais, têm voltado atenções a esse acompanhante idoso. Uma delas é o Ambulatório para Cuidadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que atende pessoas com mais de 60 anos cuidadoras de idosos pacientes dos ambulatórios de geriatria da instituição ou do programa de atendimento domiciliar. “Nós cuidamos de quem cuida. Se não fizermos isso, rapidamente teremos dois idosos doentes ao invés de um só”, explica Naira Dutra Lemos, assistente social e coordenadora do Ambulatório.

Se entre cuidadores de qualquer idade é bastante comum o desgaste psicológico, no caso dos idosos que cuidam de outros os principais problemas são físicos. “Entre esses cuidadores, o desgaste físico é maior, porque eles não têm constituição corporal para atividades como tirar o idoso dependente da cama, ajudá-lo no banho e realizar outras funções que demandam força”, explica Naira Dutra Lemos para Cuidadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Assim, segundo o geriatra Tomaz Nunes Mota de Aquino, preceptor do mesmo Ambulatório, as doenças mais encontradas entre esses cuidadores são as dores crônicas – normalmente relacionadas a problemas osteoarticulares, especialmente artrose e fibromialgia. Depois, vêm depressão e ansiedade.

A maior parte dos cuidadores no Ambulatório da Unifesp são mulheres. O que os profissionais da área de saúde fazem é chamar a atenção para as necessidades desse idoso que cuida do outro e que, às vezes, não tem suas fragilidades percebidas pela família. “Normalmente há um idoso mais dependente e todos os olhares estão voltados para ele, e o outro acaba esquecido por estar em melhores condições de saúde”, explica o médico.

Por isso, os profissionais do Ambulatório chamam a família e expõem as dificuldades que o outro idoso também enfrenta. “O que fazemos é explicar a situação de ambos e alertar que aquele idoso, embora em melhor condição de saúde, também precisa de cuidados e que se isso não acontecer, ele também vai adoecer”, diz o geriatra. A partir disso, é comum que a família se dê conta também da necessidade do cuidador e passe a estar mais presente também para cuidar dele.

Atualmente, 86 cuidadores idosos frequentam o serviço, aberto a cuidadores de idosos que sejam pacientes de qualquer outro ambulatório ligado ao Departamento de Geriatria da Unifesp. No local, o cuidador pode ser acompanhado por um médico, assistente social e psicóloga.

No caso de morte do idoso doente, o idoso cuidador recebe assistência do Ambulatório até conseguir reorganizar a vida e estar inserido em um programa de assistência, seja de saúde ou outro, conforme sua necessidade. “De acordo com os serviços públicos disponíveis ou privados, se ele tiver convênio médico ou puder pagar, nós só o desligamos do serviço se ele já estiver encaminhado, assim temos a segurança de que ele não está desamparado após a morte do familiar de quem cuidava”, diz Naira.

Outra iniciativa, também na capital paulista, é o Programa Acompanhante de Idosos (PAI), da Associação Saúde da Família (ASF), instituição não governamental e filantrópica. O PAI acontece em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e, além de inserir o idoso nos programas gerais de assistência da prefeitura, como centro-dia, centro de convivência, atendimento domiciliar e unidades básicas de saúde, também volta seu olhar para o acompanhante, já que, se necessário, nomeia um cuidador para acompanhar o idoso dependente, liberando o outro idoso desse tipo de assistência.

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