21 de Setembro de 2016

A importância dos grupos de apoio para cuidadores familiares

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Cuidar de um familiar idoso pode aproximar os membros de uma família, mas o mais comum é que uma pessoa – seja um filho, nora ou outro parente – assuma a maior parte das responsabilidades em período integral ou quase isso. Quanto maior a dependência do idoso, seja física ou cognitiva, mais difícil para o cuidador. E, para dar conta de toda essa responsabilidade e trabalho duro, o cuidador comumente se afasta dos demais familiares, dos amigos e se isola socialmente. Deixa de lado o cuidado consigo mesmo para se dedicar ao outro. Por isso, é tão comum o sentimento de solidão entre aqueles que cuidam de um parente dependente na terceira idade.

No entanto, com o envelhecimento da população, é cada vez mais comum que uma família se encontre em uma situação dessas, em que um familiar assume os cuidados de um parente idoso, tendo ou não a ajuda de um profissional. E essa rotina costuma ser tão desgastante que o cuidador dificilmente se dá conta de que precisa de ajuda. “Muitas pessoas nessa situação pensam que não há como pedir ajuda, não há o que ser feito, a vida dela é assim e ponto final. Elas não conseguem entender que há ajuda possível”, explica a psicóloga Fernanda Gouveia Paulino, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Se não é possível ter ajuda prática por parte dos familiares, há onde dividir as angústias da rotina pesada de cuidador. É para isso que existem os grupos de apoio a cuidadores familiares. “Quando descobrem o grupo de apoio, as pessoas ficam extremamente motivadas e passam a ter um local onde compartilhar experiências e ouvir de cuidadores que estão nessa rotina há mais tempo que há alternativas mesmo dentro de um dia a dia tão difícil”, diz Fernanda.Um dos motivos de sucesso dos grupos de apoio é a sensação de pertencimento que eles promovem. “O cuidador normalmente não se sente acolhido pelos demais familiares e muito menos reconhecido pelo trabalho que faz. Por isso, os grupos são importantes, porque acolhem pessoas com problemas parecidos e reconhecem seu sofrimento”, explica a professora da PUC.A psicóloga Maria Elizabeth Bueno Vasconcellos, especialista em Gerontologia, promove cursos de orientação para cuidadores de idosos e, apesar de não ser exclusivo para familiares, esse é o seu maior público. “As pessoas têm necessidade de ouvir e contar suas próprias histórias. Além disso, no curso, nós simulamos situações familiares e refletimos sobre a questão da velhice, o que faz com que esses cuidadores se imaginem no lugar do idoso”, explica Elizabeth. “Nosso objetivo principal é que essas pessoas se sintam acolhidas e abraçadas.

Dificuldade como cuidador todo mundo tem, mas é possível fazer com que a vida seja mais suave”.É importante, no entanto, que os grupos possuam um mediador. “Assim conseguimos transformar as histórias pessoais em experiências inspiradoras e promover a resolução de problemas”, diz. Fernanda compartilha da mesma opinião. “O mediador não deixa as histórias caírem na negatividade e pode tirar qualquer dúvida ou aclarar algum ponto de vista”, afirma.Não é difícil encontrar um grupo.

Além daqueles que reúnem cuidadores de idosos com alguma doença específica – caso da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), que tem mais de 100 grupos em todo o Brasil – há grupos gerais, como acontece nas reuniões promovidos pelo Apoio, de Elizabeth. Para encontrar um grupo, o ideal é pedir indicação para algum profissional de saúde responsável pelos cuidados ao idoso.Caso seja impossível participar presencialmente das reuniões de apoio, nas redes sociais também há grupos que reúnem cuidadores para troca de experiências e informações. No entanto, é preciso ter sempre em mente que, no caso de grupos formados por leigos, a intenção é apenas compartilhar histórias e dificuldades – jamais copiar tratamentos médicos ou pedir indicação de terapias ou medicamentos para os pacientes.

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