15 de Dezembro de 2016

Intergeracionalidade: vantagens e exemplos bem-sucedidos

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Com o aumento da longevidade, as famílias têm tido a oportunidade do encontro entre diversas gerações. É cada vez mais comum que dividam o mesmo teto ou as festas de família, os bisavós, avós, pais, filhos, netos e bisnetos. Os benefícios dessa convivência de diferentes faixas etárias são muitos. Uma pesquisa realizada na cidade com o maior número de longevos do Brasil, Veranópolis (RS), apontou que o encurtamento dos telômeros (extremidade dos cromossomos) de idosos que têm maior convivência com as diversas gerações familiares é mais lento.

Isso significa que eles envelhecem em menor velocidade (leia mais sobre isso na entrevista do geriatra Emílio Hideyuki Moriguchi aqui http://www.tena.com.br/cuidadores/veranopolis-exemplo-de-longevidade/).Os ganhos da intergeracionalidade vão além. “Os mais velhos podem disseminar conhecimentos relacionados a sua história pessoal e à história da comunidade, permitindo aos jovens conhecerem suas origens e se enraizarem em sua cultura”, diz Sandra Feltran, da Gerência de Estudos e Programas Sociais do Sesc São Paulo. “Os mais jovens transmitem aos mais velhos suas experiências ligadas às novas tecnologias, como o domínio do manuseio de aparelhos eletrônicos e da linguagem digital, além de trazerem para o universo deles uma flexibilidade de comportamentos sociais de acordo com novos valores morais, menos conservadores”.

Por esses e outros motivos, uma série de ações têm sido propostas em todo o mundo com o objetivo de unir as gerações. Na Holanda, uma iniciativa permite que jovens morem em instituições de longa permanência sem pagar nada, desde que prestem serviço voluntário junto aos idosos. Em países como Estados Unidos e Portugal, residenciais para idosos são construídos ao lado ou bem próximo de escolas infantis e algumas atividades são realizadas em conjunto, como as refeições. Há oficinas, por exemplo, em que os mais velhos constroem brinquedos de sucata para depois presentear e brincar com as crianças. No Brasil, embora pontuais, muitas ações já estão acontecendo nesse sentido.

No Sesc São Paulo, por exemplo, nos meses de férias de janeiro e julho acontece a ação “Avós e Netos” cujo objetivo é, por meio de atividades que estimulam a experimentação e a criação conjunta de avós e netos, promover um tempo de convivência, integração e afeto entre as gerações. Entre as atividades propostas estão oficinas de artes manuais, culinária, exibições comentadas de filmes, vivências esportivas, espetáculos teatrais e contação de histórias. “Além desse projeto, as unidades do Sesc São Paulo realizam durante o ano ações pontuais para propiciar a integração e a convivência entre as gerações.

O que une os públicos são seus interesses em comum, seja pelo teatro, música, literatura ou outras linguagens”, diz Sandra. “Sabemos que várias amizades se estabelecem a partir desse primeiro contato”.A psicóloga Sônia Azevedo Menezes Prata Silva Fuentes tem trabalhado para fazer a aproximação de jovens e idosos. Em seu trabalho de pós-doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ela tem unido jovens de um programa social, o Projeto Quixote e idosos de um centro-dia de um bairro próximo ao projeto. O objetivo é sensibilizar e capacitar os jovens atendidos pela ONG, que estão em situação de vulnerabilidade social, a respeito da velhice e do envelhecimento. “Esperamos que depois eles possam trabalhar como voluntários ou em emprego formal, como agentes socioculturais junto a idosos”, conta Sônia.Além de assistirem a filmes com a temática do envelhecimento ou da intergeracionalidade, os jovens e os idosos se encontram para atividades juntos, como visita a parques ou oficinas de culinária.

Tudo isso traz benefícios para ambas as partes. “O idoso sente que tem algo para passar para outras gerações, o que muda o sentido da vida dele. E o jovem, por outro lado, se sente favorecido, aprendendo algo e tendo a atenção de alguém mais velho”, diz Sonia. E, segundo a psicóloga, os encontros são marcados por muito afeto e carinho por ambos os públicos.A convivência acaba tendo, por efeito, a quebra de preconceitos entre as gerações. “Isso acontece tanto no âmbito cognitivo, como no social e afetivo, desde que a relação entre as gerações seja marcada pelo igualitarismo, sem hierarquias”, diz Sandra. A intergeracionalidade, ainda, promove uma educação para o envelhecimento, fazendo com que os jovens comecem a enxergar essa fase da vida com mais naturalidade.

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