14 de Setembro de 2016

Mitos comuns da nossa alimentação

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De tempos em tempos surge no mercado algum produto revolucionário que ganha a atenção da mídia e da população, e que logo passa a ser consumido em massa, trazendo no seu contexto, muitas vezes, benefícios “milagrosos”. É dieta para desintoxicar o organismo, produto para emagrecer facilmente, entre outras promessas… Mas será que realmente funcionam? Há ainda características associadas a determinados alimentos que são amplamente divulgadas, mas que não passam de crenças ou carecem de evidências científicas mais sólidas.Abaixo, separamos alguns desses mitos para serem desvendados por quem realmente entende do assunto.Glúten faz mal à saúde e deve ser abolido da alimentação de todas as pessoas.

Não, necessariamente. De acordo com Danielle Miranda, nutricionista funcional e mestranda do programa de pós-graduação em nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), quem realmente precisa excluir o glúten da dieta são os indivíduos celíacos, que apresentam intolerância a ele. Entretanto, ela ressalta que já se sabe que algumas pessoas, mesmo não celíacas, podem apresentar uma sensibilidade ao glúten e, consequentemente, podem apresentar sintomas ao consumir esta proteína. “Vale salientar que uma avaliação médica e/ou nutricional se faz necessário para realização do diagnóstico e indicação do tratamento”, orienta.

Óleos têm muito colesterol e, portanto, são maléficos para o organismoConforme explica Danielle, todo óleo de origem vegetal é livre de colesterol. “O colesterol está presente em alimentos de origem animal e ele não é o grande vilão da nossa saúde. O colesterol é necessário para a produção de hormônios e é um importante componente das nossas células”, afirma. Ela salienta que, quando em excesso, o colesterol, principalmente a fração LDL (o “mau” colesterol), acompanhado de um HDL (o “bom” colesterol) reduzido, pode trazer riscos à nossa saúde. Um dos riscos mais comuns é o acúmulo desta gordura nas artérias e, consequentemente, o seu entupimento, ocasionando infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Goji Berry faz emagrecerO Goji Berry (Lycium barbarum) é uma planta da família Solanacea, típica do noroeste da China e regiões do Himalaia e foi introduzido e largamente cultivado na Europa.

Muito comercializado na atualidade – muitos acreditam que o Goji Berry traz benefícios para a saúde, além de possuir uma ação emagrecedora –, os efeitos da planta no organismo ainda são um tema controverso para os especialistas em nutrição.

A nutricionista Sueli Longo, membro da comissão de comunicação da SBAN (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição), diz que, segundo o informe técnico da ANVISA 66/2015, o Goji Berry e produtos derivados não podem ser comercializados com indicações para tratamento, cura ou prevenção de doenças. “Não há comprovação científica de que ele atue como emagrecedor ou para melhorar a saúde”, destaca.A cafeína pode aumentar a glicemiaO café está entre as bebidas mais apreciadas no mundo todo.

Sua composição inclui cafeína, minerais, compostos fenólicos, lipídeos, ácido clorogênico, entre outras substâncias. Segundo Danielle, da Unifesp, seu consumo está associado à melhora da concentração, aumento da quebra e queima da gordura, redução do risco de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson e doença de Alzheimer, além de favorecer a melhora na performance esportiva.“A cafeína é o principal composto bioativo presente no café. Em doses baixas, ela pode promover diversos benefícios à nossa saúde, como melhora da concentração, estado de alerta, redução da sonolência e cansaço”, esclarece a nutricionista.

Ela diz que alguns trabalhos demonstram que o consumo regular de café está associado à redução do risco de desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2, mas um grupo de estudos da Duke University Medical Center realizou algumas pesquisas evidenciando que o consumo de cafeína isolada pode alterar a glicemia em indivíduos diabéticos. “Mas não podemos afirmar que a cafeína pode modificar a concentração de glicose sanguínea, pois os estudos não são conclusivos”, relata.

Margarina é mais saudável que manteigaNão é verdade. De acordo com Danielle, a margarina é um produto obtido a partir da hidrogenação de um óleo vegetal, ou seja, é composta por gordura trans. “A gordura trans é incorporada às nossas células, provocando alterações estruturais e fisiológicas, gerando diversas modificações metabólicas, o que favorece o aparecimento de doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2 e obesidade”, destaca a nutricionista. Segundo ela, a manteiga é rica em gordura saturada, uma gordura que em excesso também pode levar às mesmas consequências do consumo da gordura trans. “Mas além da gordura trans, a margarina é campeã em aditivos químicos”, enfatiza.Dietas detox fazem bem à saúde e pode ser feitas regularmente“De acordo com a nota técnica do Conselho Federal de Nutrição (CFN), apesar de ser disseminada pela mídia como sinônimo de emagrecimento, saúde e estratégia de limpeza das toxinas do corpo, faltam evidências científicas que amparem a utilização de dietas ‘detox’ (ou desintoxicantes)”, esclarece Sueli Longo, da SBAN.

A nutricionista afirma que, além disso, a adoção de dietas detox não é condizente com os princípios da alimentação adequada e saudável recomendados pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, tais como:– Ser uma prática adequada aos aspectos biológicos e sociais do indivíduo e estar em acordo com as necessidades alimentares especiais; Ser referenciada pela cultura alimentar e pelas dimensões de gênero, raça e etnia;Ser acessível do ponto de vista físico e financeiro; Ser harmônica em quantidade e qualidade, atendendo aos princípios da variedade, equilíbrio, moderação e prazer; Ser baseada em práticas produtivas adequadas e sustentáveis, o que favorecerá o bom funcionamento do organismo.

Conforme explica Sueli, a dieta detox possui composição bastante heterogênea, mas usualmente inclui modificação da dieta habitual para uma dieta de baixas calorias, desequilibrada em macro e micronutrientes, com períodos de jejum e utilização de água pura, vegetais e frutas recém-processadas que, segundo seus defensores, facilitariam a fase I e II do fígado para desintoxicação, seguida da indução à diurese. “Contudo, ressalta-se que o processo de desintoxicação ocorre de forma natural e diariamente no corpo humano, quando utilizada uma alimentação adequada e saudável. A radicalização na mudança da alimentação pela busca de efeitos imediatistas pode gerar riscos à saúde”, alerta Sueli.

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