12 de Fevereiro de 2017

Para idosos, vida social ativa pode ser sinônimo de vida longa

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A solidão pode encurtar a vida dos idosos. Um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, fez um levantamento com 1.604 pessoas com idade média de 71 anos. Quase metade deles declarou sentir-se solitário. Durante seis anos de acompanhamento desses idosos pelos pesquisadores, a chance maior de morte foi nesse grupo, com 22,8% deles, em comparação a 14,2% dos que viviam com algum parceiro. Além disso, os solitários têm probabilidade duas vezes maior de terem declínio em suas atividades diárias.

Por esse motivo, incentivar os idosos a participarem de grupos e manterem uma vida social ativa parece ser a chave para espantar a solidão, em especial para aqueles que já perderam o companheiro ou companheira.São inúmeras as alternativas para quem busca uma atividade nos grandes centros urbanos. Entidades como o Sesc (Serviço Social do Comércio) têm diversas opções, assim como muitas universidades oferecem cursos especiais voltados para idosos. No entanto, há alternativas e grupos menores por todo o país, sejam ligados a associações comunitárias, igrejas ou em torno de lojas de artesanato que oferecem cursos.

Na capital paulista, um negócio que nasceu como loja de artesanato hoje reúne idosas para realizar viagens. Aberta no ano 2000, a loja African Artesanato, além de vender materiais, oferece oficinas para quem quiser aprender técnicas e desenvolver produtos. A adesão foi grande e os proprietários, os irmãos da família Mayo, criaram, quatro anos depois, um programa de TV diário sobre o artesanato (atualmente na grade de programação da Rede Vida), o Ateliê na TV. O programa leva artesãos que ensinam as mais diversas técnicas e produtos para que as pessoas reproduzam em casa.

O sucesso de ambas as empreitadas, em especial entre o público feminino 60+, fez com que surgisse um terceiro projeto, o Ateliê com Você. Esse braço de atuação é uma agência que organiza viagens com foco exclusivamente no artesanato. Fãs do programa de TV de todo o Brasil viajam com a equipe do Ateliê para fazer cursos especiais ou visitar feiras de artesanato pelo Brasil e em outros países.

As viagens tiveram início em 2010 e, desde então, já aconteceram 50 no total. Para 2017, estão programadas mais 19. “O grupo de mulheres tem idades entre 60 a 90 anos. Elas são muito independentes, com boa condição financeira e, a maioria delas, viúva”, diz Merav Mayo, sócia-diretora do Grupo Mayo.

As viagens são muito variadas. As propostas vão desde cursos de costura em Campos do Jordão (São Paulo), onde se reúnem em salões de hotel com mais de 100 máquinas para fazer bolsas, até visitas à maior feira de artesanato do mundo em Houston no estado do Texas, nos Estados Unidos. “A maioria delas faz em torno de cinco viagens por ano conosco”, conta Merav.

Os depoimentos das senhoras trazem mensagens como “o artesanato me fez superar a depressão”, “não me lembro de ter sido tão feliz antes como nessa viagem” e outras do tipo. “Nós unimos pessoas com a mesma paixão e elas se tornam amigas a partir disso”, afirma a profissional. Socialização via tecnologia ou face a face?

Sem dúvida, os idosos que mergulham no mundo da tecnologia e passam a usar redes sociais e aplicativos de celular para se comunicar com familiares e amigos encontram vantagens nesses aparatos, conforme mostra reportagem sobre o tema (http://www.tena.com.br/longevidade/idosos-e-tecnologia-beneficios-e-dificuldades/).

No entanto, estudos mostram que nada substitui a comunicação face a face – o que explica o grande sucesso de atividades como as viagens e o artesanato entre mulheres e a sensação de bem-estar que expressam ao realizá-las.Uma pesquisa realizada no final de 2015 por psiquiatras da Oregon Health & Science University, dos Estados Unidos, e publicada no Journal of the American Geriatrics Society, apontou que há diminuição do risco de depressão entre pessoas, em especial idosos, que mantêm interações sociais face a face. A pesquisa foi realizada com 11 mil americanos acima dos 50 anos de idade.

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