15 de Setembro de 2016

Reinvenção profissional após os 40 anos

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Existe um ditado que diz “a vida começa aos 40”. Para quem acredita nele, não existe empecilho na hora de encarar um novo desafio e dar uma guinada na vida profissional, não importa se for necessário fazer radicais na vida. E uma das vantagens de se mudar de profissão nessa fase da vida é que a possibilidade de sucesso é maior e não apenas por questões financeiras. A mudança depois dos 40 muitas vezes é uma busca por mais satisfação pessoal – e só isso já vale o risco.

A paulista Luciana Cury é um exemplo disso. Após 18 anos trabalhando como designer gráfica, a arquiteta de 44 anos decidiu se enveredar por outra área: o da comercialização de mudas de ervas e implementação de hortas urbanas, uma prática que vem se tornando frequente na cidade de São Paulo. Ela conta que desde que se mudou de apartamento, há cerca de dez anos, transformou o lugar num laboratório de experimentação com plantas.“Como eu trabalho em casa, queria um lugar que tivesse um espaço legal para poder cultivar minhas plantas (ervas, temperos, frutíferas, etc.). Sou de Assis, SP, e morava numa casa com quintal, onde tínhamos algumas frutíferas, como a parreira – comum nos quintais de famílias libanesas – e mamão”, diz.“No início de 2012, conheci o pessoal do Hortelões Urbanos, um grupo do Facebook formado por pessoas que também plantavam em casa e que, num dado momento, decidiram se unir para trocar experiências”, relembra Luciana. “Começamos a fazer troca de mudas, de sementes, e pessoas de outras cidades, outros estados e até mesmo de outros países (brasileiros que moram fora ou estrangeiros que falam português) foram se juntando ao grupo, que continua crescendo exponencialmente.” O grupo, que no começo tinha 700 pessoas, hoje conta mais de 50 mil, que interagem virtual e pessoalmente.

A designer comenta que um dia surgiu no grupo a ideia de plantar em algum espaço público da cidade. Foi daí que nasceu a primeira horta dos Hortelões em São Paulo – a Horta das Corujas, localizada na Praça das Corujas em frente à Avenida das Corujas, no bairro da Vila Beatriz, na zona oeste da cidade. A ideia era ser uma horta comunitária, sem finalidade lucrativa. A partir dela surgiram outras pela cidade, como as hortas da Saúde, da Praça dos Ciclistas, da Pompeia e da Nascente.

A arquiteta esclarece que nessas hortas são cultivadas várias espécies, entre frutas, hortaliças, além de ervas, temperos e até cana e milho. “Acabou virando uma roça mesmo, uma ação para quebrar paradigmas”, avalia, enfatizando que no começo os voluntários não imaginavam que o projeto fosse ganhar tamanha proporção.Segundo Luciana, a ação que nasceu com caráter local, para conquistar os moradores do bairro, no final das contas provou ser um instrumento de urbanização fenomenal. “O que conseguimos com isso foi muito bacana, como a recuperação de alguns espaços ociosos, abandonados, onde se jogava entulho. Esses locais acabaram se transformando em pontos de encontro e convivência, com uma troca de experiências muito rica”, comemora.

De acordo com a designer, tudo o que é plantado pode ser colhido por todos, ou seja, a colheita é pública. “É um espaço aberto e público, então qualquer pessoa que esteja passando pela horta e se interessar por alguma planta pode colher. É um exercício de democracia, responsabilidade e cidadania”, afirma. Ela diz que o único problema é com relação à educação de algumas pessoas. “Às vezes acontece de uma pessoa levar a muda inteira, mas isso também faz parte do aprendizado”, revela.Em relação aos custos do plantio, ela diz que o grupo conta com doações e trocas. “Por exemplo, se o meu manjericão deu um monte de semente, eu coleto e guardo para as hortas, para as feiras de trocas. É uma ação comunitária, o trabalho sempre acontece na base da colaboração”, declara.

A partir dessas experiências, surgiram workshops, oficinas, eventos em escolas e também a possibilidade de um novo caminho profissional. “Comecei um negócio chamado Aromática Ervas Orgânicas, que tem a ver com a experiência/laboratório de produção de ervas e implementação de hortas. Ainda não me sustento financeiramente com ele, mas acredito nesse caminho”, destaca.

Enquanto esse momento não chega, Luciana continua trabalhando como designer gráfica. “O design sempre vai ser parte de mim. Se eu puder unir as duas profissões será muito bom”, observa. Ela comenta que, devido à formação de arquiteta, sempre teve interesse por paisagismo urbano e que, por conta disso, começou a fazer parte de um coletivo na região da Pompeia no início de 2013, cuidando de uma praça onde, entre várias outras ações, plantaram uma horta.“Conseguimos uma mudança interessante no uso e cuidado da Praça da Nascente e esse processo foi transformador para mim. O contato com a natureza, com o ar livre, sempre me fez bem, desde criança”, ressalta a designer. “Não dava mais para ficar de braços cruzados, esperando as coisas melhorarem por si só. Foi um ato de arregaçar as mangas e correr atrás.”

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