12 de Novembro de 2018

O futuro do envelhecimento

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Evento realizado em São Paulo, patrocinado por TENA, discutiu as políticas atuais de envelhecimento na América Latina e os desafios para a longevidade


O II Simpósio Internacional Políticas para o Envelhecimento, organizado pelo Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR) em parceria com a Universidade Aberta à Terceira Idade ocorreu na Universidade de São Paulo no dia 19 de outubro reunindo cerca de 200 pessoas. Foram colocadas em debate várias questões relacionadas às políticas públicas de envelhecimento na América Latina e os principais desafios para assistir a população acima dos 60 anos, que é cada vez mais representativa.

Conforme Alexandre Kalache, um dos mais respeitados geriatras do mundo, presidente do evento e membro do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC – BR), todos os países deveriam ter uma política focada para atender o público longevo e de forma clara e eficiente. “Importante que tenhamos as políticas de envelhecimento e longevidade no centro das atenções, já que é um desafio para a saúde mundial devendo envolver e engajar tanto o setor público como o privado”, disse Kalache.

Cuidados especiais

Outras questões levantadas pelos especialistas presentes se aplicam na educação e formação de gestores e profissionais de saúde, que muitas vezes não estão devidamente treinados e preparados para atender esse público. De acordo com o geriatra Sérgio Paschoal, o envelhecimento está sendo muito rápido e ainda há um grande descompasso de serviços para absorver os idosos. “Só na cidade de São Paulo, por exemplo, 20% da população de São Paulo já está acima dos sessenta anos”, alertou o médico. Já Karla Giacomin, da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte (MG), as demandas são significativas e muito precisa coisa ser elaborada. “Há uma insuficiência de política de cuidados para população que está envelhecendo e precisamos repensar como e quanto o Estado pode agir. Temos que realizar políticas realmente efetivas e atuar fortemente com conscientização”, disse Karla.

Contudo, o que foi bem apontado também é que a assistência para essa população passa por uma série de medidas que deveriam promover qualidade de vida, de fato, mas ainda existem barreiras sociais. “Temos que compartilhar experiências regionais, nacionais e internacionais e atuar diretamente na formação, na capacitação e qualificação de todos os profissionais que vão lidar com pessoas na terceira idade”, afirmou Adriana Rovira, consultora do Ministério de Desenvolvimento Social do Uruguai.

Desafios futuros

Diante da relevância que tem a longevidade populacional, muitos outros aspectos se inserem nesse cenário senil e tudo é muito abrangente, indo da prevenção do risco de quedas, imunização até a incontinência urinária. Com isso, diversas perguntas sem respostas plausíveis nos dias atuais foram colocadas. “Temos que preparar muito bem os profissionais de saúde de todos os lugares, pois as demandas serão muito significativas para atender esse público, que aumenta ano a ano.  Nosso desafio é enorme. Será que estamos capacitados para esse contexto?”, indagou Carlos Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Todo esse mosaico de questões que compõe o quadro da longevidade teve espaço para dúvidas, esclarecimentos e desafios com um grupo de profissionais que lida com essa questão em diferentes instâncias. “A longevidade tem que estar na linha de frente de todas as plataformas de governo. Caso contrário, teremos um problema ainda mais sério no futuro”, advertiu Marília Louvison, docente da Faculdade de Saúde Pública da USP. Seja na assistência, no âmbito acadêmico ou mesmo nas iniciativas públicas e privadas voltadas para esse público, não tem como desenhar uma nova história sem colocar em foco as pessoas acima dos 60 anos, octagenários e os diversos desdobramentos que isso traz. “Todos devem estar voltados para o processo de envelhecimento e todos precisam estar envolvidos com a longevidade. Isso, sem dúvida, tem mesmo que ser prioridade”, finaliza Kalache.

Uma condição invisível

A incontinência urinária também foi um dos tópicos selecionados para o Simpósio porque o seu impacto é muito grande e é um desafio para a saúde pública, sobretudo por conta do envelhecimento populacional. Se a Incontinência Urinária fosse um país seria o terceiro mais populoso do mundo. Traduzindo isso em números globais, temos 420 milhões de pessoas com incontinência urinária. Já no Brasil, estima-se que esse número esteja por volta dos 16 milhões, ou seja, ou seja, uma Grande São Paulo incontinente.

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Vida familiar

De acordo com Carla Girolamo, gerente de marketing da marca TENA, e que apresentou o tema no evento, com o envelhecimento da população no mundo, vamos ter ainda mais pessoas com incontinência nos próximos quarenta anos e essa é uma questão relevante para ser discutida. “A incontinência impacta não somente a qualidade de vida da pessoa incontinente, mas também nos seus cuidadores familiares e também a todos os profissionais ligados a esse tipo de especialidade. Também tem um impacto grande na questão econômica, no meio ambiente e nas relações de trabalho. “Mais da metade da população com essa condição não busca tratamento por vergonha, desconhecimento, não sabem interpretar os sintomas ou tem falsas crenças”, alerta Carla 

Outro aspecto destacado é que não só a perda urinária, mas as reais limitações e as dificuldades na vida diária que isso acarreta. As mulheres são três vezes mais afetadas pela incontinência urinária por causa da gestação, parto, infecção urinária, menopausa, alterações hormonais e até mesmo práticas desportivas. Quanto aos homens, os problemas de próstata são bem relacionados à incontinência urinária e obesidade, diabetes, doença de Alzheimer, mal de Parkinson e os acidentes vasculares cerebrais podem levar homens e mulheres a terem incontinência.

 

Saúde mental e sexual

Além disso tudo, a incontinência urinária se associa frequentemente a outros agravantes, tais como insuficiência cognitiva, imobilidade (ou quedas), infecção e instabilidade. “Muitos incontinentes lidam com Incômodo (odor de urina e/ou umidade), lesões cutâneas, maior probabilidade de institucionalização, isolamento social que podem, inclusive, comprometer a saúde mental e sexual”, disse Carla, apontando que a incontinência deveria ter um foco maior em vários âmbitos, seja na área pública ou assistencial, mas especialmente no grande impacto na qualidade de vida.

Já quanto aos produtos para auxiliar incontinentes, seja em casa, institucionalizados ou hospitalizados, muito mais que o custo de fraldas, por exemplo, deve-se observar os benefícios assim como a qualidade, a devida absorção, tecnologia aplicada, o conforto e o que isso vai promover para quem tem incontinência. “É muito importante encontrar soluções, criar um ganha-ganha para pacientes, cuidadores e sistema de saúde”, finaliza.

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