3 de Dezembro de 2016

Atividade física para prevenir a incontinência urinária

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Dez entre dez profissionais da saúde, não importa a especialidade e a área de atuação, não têm dúvida de que a atividade física é essencial para manutenção da saúde e da qualidade de vida, bem como para prevenção de problemas relacionados ao sobrepeso. Quando se trata do tema incontinência urinária, no entanto, os especialistas têm certa cautela na recomendação de atividades físicas. “Não há estudos comprovando o benefício de nenhum esporte ou prática para prevenção da incontinência”, afirma categoricamente o urologista Carlos Henrique Suzuki Belucci, coordenador-geral do Departamento de Urologia Feminina e Uroneurologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).


Tem a mesma opinião Claudia de Oliveira Raizaro Santos, fisioterapeuta do CRI Norte, Centro de Referência do Idoso da região Norte de São Paulo. “A atividade física melhora a condição corporal como um todo, mas não tem benefício nenhum na prevenção da incontinência urinária em si”, diz. No entanto, em práticas como ioga e pilates é possível aliar exercícios específicos para o assoalho pélvico – e aí, sim, tirar benefício da atividade física também para fortalecer essa região do corpo, prevenindo a incontinência.


O diferencial dessas duas práticas é trabalharem a respiração e a consciência corporal, permitindo assim que o exercício para assoalho pélvico seja associado. “Isso só é possível se o profissional que propõe os exercícios tiver conhecimento das práticas para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico e direcione a aluna a fazê-las.


Do contrário, a prática de ioga ou pilates não tem qualquer função para isso”, explica Claudia. Além disso, o médico diz que estudos iniciais também apontam que possíveis benefícios do pilates e da ioga em relação à incontinência urinária se dão por incluir exercícios que promovem relaxamento abdominal, diminuindo a pressão sobre o assoalho pélvico – o que poderia contribuir nos casos de incontinência por pressão (também conhecida como incontinência de esforço). “No entanto, é preciso deixar muito claro que não há nada comprovado. A única coisa que previne, melhora e trata incontinência é a reabilitação do assoalho pélvico realizada por profissionais especializados”.


Por outro lado, o que se tem comprovado é que a prática de exercícios físicos moderados que promova redução de peso ajuda a prevenir a incontinência, já que o sobrepeso é uma das causas desse problema. “Mas infelizmente as principais causas não são modificáveis, como a genética, múltiplas gestações e partos normais”, explica o médico.


Já a prática intensa de exercícios com alto impacto pode, ao contrário, desencadear a incontinência, se aumentar a pressão sobre o assoalho pélvico e a praticante não estiver muscularmente preparada. “Tenho relato de mulheres que sofrem perdas urinárias na prática de cross fit”, relata Belucci. “O cross fit não causa incontinência, o problema é a fraqueza no músculo do assoalho pélvico que não resiste ao impacto do exercício e não é capaz de segurar a urina, causando episódios da chamada incontinência de esforço”.

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