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Canetas emagrecedoras: o que são, como funcionam e quais os riscos

caneta emagrecedora

Nos últimos anos, as chamadas canetas emagrecedoras deixaram os consultórios médicos e passaram a fazer parte do vocabulário popular.  

Nomes como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro se tornaram sinônimo de emagrecimento rápido, amplamente difundidos nas redes sociais, impulsionando o desejo por soluções práticas para o controle de peso.  

Mas, por trás da promessa de resultados visíveis em poucas semanas, existe uma classe de medicamentos complexa e que merece atenção, especialmente entre pessoas mais velhas e com mobilidade reduzida. 

Afinal, o que são as canetas emagrecedoras?

As canetas emagrecedoras são dispositivos de aplicação subcutânea para administração de doses controladas de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1. Alguns produtos mais modernos combinam essa ação com a dos receptores GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), potencializando o efeito sobre o apetite e o metabolismo da glicose, o que favorece a perda de peso.  

Originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, esses fármacos passaram a ser indicados também para quadros de obesidade e sobrepeso associados a comorbidades, sempre sob prescrição de um médico endocrinologista.

Como funcionam no organismo

Os agonistas do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) imitam a ação do hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições. Esse hormônio atua em pelo menos três frentes: 

  • No cérebro, sinaliza saciedade e reduz a sensação de fome, agindo em áreas ligadas ao apetite. 
  • No estômago, retarda o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de “estar satisfeito”. 
  • No pâncreas, estimula a liberação de insulina quando a glicemia está alta e reduz a produção de glucagon, hormônio que eleva o açúcar no sangue. 

Na prática, o resultado é a redução espontânea da ingestão calórica, o que leva à perda de peso ao longo do tratamento. É imprescindível que o tratamento com canetas emagrecedoras seja associado ao acompanhamento médico especializado, com ajuste individualizado da dose, abordagem multidisciplinar, alimentação equilibrada e atividade física regular 

Efeitos colaterais mais comuns

A maioria dos efeitos colaterais das canetas emagrecedoras é de natureza gastrointestinal: náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Esses sintomas costumam ser mais intensos no início do tratamento e nos ajustes de dose, tendendo a diminuir com o tempo. Ainda assim, de acordo com especialistas, quase metade dos usuários  interrompe o tratamento devido ao desconforto.  

Segundo artigo publicado no Medscape sobre revisão clínica de estudos científicos, as náuseas atingem 44,2% dos usuários de semaglutida, contra 40,2% dos que usam liraglutida e 31% dos usuários de tirzepatida. Já diarreia, constipação e vômitos afetam entre um quarto e um terço dos pacientes. 

Perigos que exigem atenção redobrada

Além dos desconfortos digestivos, há outros riscos menos falados e que merecem destaque: 

Perda de massa muscular

Estudos e metanálises indicam que de 12% a 40% do peso perdido durante o tratamento corresponde à massa magra, e não apenas à gordura corporal, um efeito que pode ser mais pronunciado com semaglutida e tirzepatida do que com liraglutida. Em pessoas idosas ou com mobilidade reduzida, essa perda de força pode agravar a fragilidade física. O uso indiscriminado e incorreto, sem a devida supervisão médica, pode colocar em risco a saúde das pessoas.  

Desidratação e lesão renal

Náuseas, vômitos e diarreia persistentes podem levar à redução da ingestão de líquidos e ao aumento da perda de fluidos, um risco especialmente relevante para pacientes mais velhos. 

Hipotensão

Um estudo da revista Nature, um dos maiores já realizados sobre esses tratamentos, identificou maior incidência de episódios de queda de pressão e desmaios entre os usuários, o que aumenta o risco de quedas em idosos e pessoas com doenças cardiovasculares. 

Efeitos raros, porém, graves

Há relatos de pancreatite, paralisia gástrica e, em casos muito específicos, hipóteses teóricas de carcinoma medular de tireoide, o que contraindica o uso em pessoas com histórico familiar de câncer de tireoide. 

Uso sem orientação médica

A automedicação aumenta o risco de efeitos colaterais, perda de massa muscular acentuada e o chamado “efeito rebote” (retomada rápida do peso após a interrupção do tratamento). É indispensável o acompanhamento de um endocrinologista durante o tratamento com canetas emagrecedoras. 

Canetas emagrecedoras e incontinência urinária

A obesidade é reconhecida como um fator de risco para a incontinência urinária, como tratamos neste post: Obesidade leva a incontinência urinária?

O excesso de peso aumenta a pressão intra-abdominal e sobrecarrega o assoalho pélvico (conjunto de músculos e ligamentos que sustenta bexiga, intestino e, na mulher, útero), favorecendo escapes de urina em situações como tossir, espirrar e praticar exercícios físicos. 

Dados da Fiocruz apontam que a perda involuntária de urina pode ser até três vezes mais comum em mulheres obesas. A boa notícia é que essa relação também funciona ao contrário: a redução de peso na faixa de 5% a 10% já é capaz de promover melhorias no controle da bexiga.  

Estudos sobre perda de peso após uma cirurgia bariátrica mostram quedas expressivas nas taxas de incontinência entre mulheres que estabilizaram o peso. Além disso, a diminuição do peso corporal é hoje uma das recomendações no manejo da bexiga hiperativa e da incontinência urinária.  

É nesse contexto que as canetas emagrecedoras entram: ao promoverem perda de peso significativa, elas podem, consequentemente, contribuir para a redução da pressão sobre o assoalho pélvico em pessoas com obesidade.  

Mas, vale o alerta: a perda de peso precisa ser acompanhada de fortalecimento muscular (incluindo exercícios de Kegel), para que o resultado seja sustentável, já que a perda de massa magra associada a esses medicamentos pode enfraquecer justamente a musculatura do assoalho pélvico, que sustenta o controle urinário.  

Pessoas que convivem com a incontinência urinária podem contar com produtos desenvolvidos especificamente para essa condição. Discretos, confortáveis, com alto poder de absorção e controle de odor, esses produtos são parte do cuidado integral com o corpo e a autoestima. 

TENA oferece uma linha completa para homens e mulheres: para quem tem mobilidade e convive com episódios leves a moderados de perda de xixi, os absorventescalcinhas e cuecas descartáveis oferecem discrição e praticidade no dia a dia. Já para pessoas com mobilidade reduzida, as fraldas geriátricas garantem segurança, conforto e praticidade.  

É importante destacar que ninguém tem obesidade por uma questão de escolha. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a genética contribui em 70% para o desenvolvimento da obesidade, somando-se a outros fatores determinantes, como alimentação e sedentarismo. 

Assim, as canetas emagrecedoras representam um avanço real no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, mas não são isentas de riscos e não substituem o acompanhamento médico. Antes de iniciar o uso, é essencial consultar um endocrinologista, entender as contraindicações e manter avaliações regulares ao longo do tratamento.  

Para pessoas idosas ou com mobilidade reduzida, esse cuidado é ainda mais importante, já que efeitos como perda de massa muscular, tontura, hipotensão e desidratação podem interferir diretamente no equilíbrio, na autonomia e no bem-estar do dia a dia. 

Fontes: 

https://radis.ensp.fiocruz.br/reportagem/medicamentos/entenda-os-riscos-das-canetas-emagrecedoras/ 

https://www.saudeamericas.com.br/post/como-funciona-a-caneta-emagrecedora/ 

https://portugues.medscape.com/verartigo/6510864 

https://portugues.medscape.com/viewarticle/uso-agonistas-glp-1-idosos-exige-avalia%C3%A7%C3%A3o-dos-2026a10007mg 

https://portugues.medscape.com/viewarticle/agonistas-do-receptor-glp-1-eventos-adversos-e-efeitos-2026a1000dkl 

https://sbgg.org.br/canetas-emagrecedoras-podem-acelerar-declinio-funcional-em-pessoas-idosas/ 

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo – Diretoria Clínica Guia educacional para população: Obesidade / SBEM – SP – Diretoria Clínica. — São Paulo : Gengibre Comunicação, 2015.