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Tratamento da Doença de Alzheimer e administração de medicamentos

senhora sentada à mesa e lendo papel

É importante saber que medicamento é toda substância química que atua no organismo, prevenindo ou combatendo doenças ou sintomas.

São fundamentais e devem ser usados não só para o tratamento de doenças ou incapacidades, mas também na prevenção de doenças, no alívio da dor e do sofrimento.

Idosos, em geral, fazem uso de muitas medicações por problemas crônicos ou agudos que estejam vivenciando. Múltiplos problemas de saúde levam ao consumo de grande variedade e quantidade de medicamentos, o que chamamos de polifarmácia.

Essa população recebe medicamentos prescritos por diferentes especialidade médicas e por diferentes razões (perda auditiva, deficiência visual, problemas cognitivos), fica mais susceptível a acontecerem erros durante o uso destes medicamentos. Podem acontecer confusões na dose, no horário, no tipo de medicamento.

O papel do cuidador é fundamental e importantes considerações devem ser compreendidas:

Informar o idoso sobre as medicações (caso seja possível)

  • Lembre-se: conversar com o idoso a cada procedimento que irá fazer e a cada medicação que vai administrar.
  • Toda a comunicação com a pessoa que você cuida deve ser respeitosa e levar em consideração as condições de compreensão que ele tem.
  • Pode se falar de uma forma mais técnica ou de maneira simples como: “Foi seu médico que receitou esta medicação”; “Ela ajuda o senhor(a) a se sentir melhor, mais forte e animada”; “Ela é usada para o coração ou melhorar o funcionamento do rim ou deixar o sangue mais fino ou para dor nas pernas, e outras informações.”; “Terá que tomar todos os dias.”

Administrar medicamentos com a pessoa sentada (decúbito elevado)

  • É fundamental observar o posicionamento da pessoa cuidada no momento da medicação.
  • O decúbito elevado (costas retas/indivíduo sentado ou semissentado) evita o engasgo e/ou broncoaspiração.
  • Não entregar o medicamento e dar as costas para o idoso, estimulá-lo a colocar na boca e engolir adequadamente.
  • Se a pessoa estiver acamada é necessário levantar o decúbito no momento da medicação (utilizar travesseiros, encostos apropriados ou elevar a cama).

Administrar medicações orais com pelo menos 100 ml de água

  • Novamente esta recomendação é importante para evitar o engasgo ou que o idoso tenha mais dificuldade para engolir.
  • Evitar este volume de água caso o idoso tenha algum problema de restrição de consumo de água (problemas renais e outros).
  • Caso o medicamento seja administrado triturado, em uma seringa com água, diretamente na boca deve-se manter o objetivo de administrar água para depois.

O cuidador deve conhecer para que serve a medicação, a dose correta, se tem efeitos colaterais, horários mais adequados

  • É fundamental que o cuidador conheça muito bem para que servem as medicações, quais os horários indicados, qual a dose correta e se tem algum efeito colateral.
  • Abaixo demonstramos um exemplo de planilha de controle de medicamentos:
Nome do remédio Para que serve Qual a dosagem Qual o horário ou momento Quais os efeitos colaterais Observação
  • Registrar a administração do medicamento e se houve alguma situação especial.

Como gerenciar os medicamentos – dicas importantes

Não retirar os medicamentos da embalagem original e manter a bula para tirar qualquer dúvida e controlar a data de validade.

Armazenar em local seguro: longe do alcance de crianças e de pacientes com alterações cognitivas ou comportamentais, local seco, limpo e protegido da luz, não ficar mudando de lugar.

Deixar os medicamentos em uma gaveta ou caixas maiores identificando quais devem ser dados em jejum, manhã, tarde e noite.

Manter uma planilha ou lista contendo os medicamentos diários, com os horários e qualquer detalhe importante.

Ela deverá ficar fixada num local visível, para os cuidadores e familiares.

Outra opção seriam os separadores de medicamentos por dias da semana. Estes facilitam a rotina diária e podem evitar o esquecimento, porém, nos forçam a retirar uma da embalagem original. É fundamental uma atenção redobrada no dia de montar as caixas de medicamento e tirá-los da embalagem original, a receita deverá estar presente.

Os familiares ou médicos deverão ser comunicados sobre qualquer dificuldade com relação a administração de medicação.

No final da administração se certificar se o paciente engoliu mesmo o medicamento.

Existem muitas vias de administração de medicamentos

O cuidador pode administrar nas vias descritas abaixo, desde que tenha orientação adequada:

  • Via Oral – administrada pela boca (xarope, suspensão, comprimido, cápsula, pastilha).
  • Via Inalatória – em geral usam a inalação para transportar o medicamento.
  • Via Sublingual – o medicamento é colocado embaixo da língua.
  • Via Retal – o medicamento é colocado no ânus em forma de supositório.
  • Via Subcutâneo – medicamento aplicado sob a pele. Bastante utilizado para insulina ou heparina. Importante variar o local da aplicação.

O tratamento da Doença de Alzheimer visa melhorar a função e a independência, minimizando perdas cognitivas e tratando humor e comportamento.

Conhecendo um pouco mais sobre as drogas que são prescritas

Anticolinesterásicos: são drogas de primeira linha, prescritas nas fases leve e moderada da doença, inibem o esgotamento da acetilcolina (neurotransmissor associado à memória) e podem estabilizar parcialmente a progressão.

  • Donepezila
  • Rivastigmina
  • Galantamina

Memantina: são antagonistas dos receptores NMDA de glutamato, reduzem a excitocidade neuronal patológica e é bastante eficaz nas fases moderada e avançada da doença. Iniciar com 5 mg/dia por via oral (1/2 comprimido), aumentar 5 mg/semana nas 3 semanas subsequentes até chegar à dose de 20 mg/dia (1 comprimido de 10mg duas vezes por dia) na quarta semana e manter esta dose.

Medicamentos recomendados pelo Ministério da Saúde e acessíveis pelo SUS

Donepezila – comprimidos de 5 e 10 mg – iniciar com 5 mg/dia por via oral. A dose pode ser aumentada para 10 mg/dia após 4-6 semanas, devendo ser administrada ao deitar-se.

Galantamina – iniciar com 8 mg/dia, por via oral, durante 4 semanas. A dose de manutenção é de 16 mg/dia por, no mínimo, 12 meses. A dose máxima é de 24 mg/dia. Como se trata de cápsulas de liberação prolongada, devem ser administradas uma vez ao dia, pela manhã, de preferência com alimentos.

Rivastigmina – iniciar com 3 mg/dia por via oral. A dose pode ser aumentada para 6 mg/dia após 2 semanas. Aumentos subsequentes para 9 mg/dia e para 12 mg/dia devem ser feitos de acordo com a tolerabilidade e após um intervalo de 2 semanas. A dose máxima é de 12 mg/dia. As doses devem ser divididas em duas administrações, junto às refeições.

No uso de adesivos transdérmicos, inicia-se com a apresentação de 5 cm² durante pelo menos 4 semanas de tratamento. Havendo boa tolerância do paciente após este período de tratamento, o adesivo deve passar para o de 10 cm², que traz a dose considerada efetiva. Aplica-se um adesivo a cada 24 horas em um dos lados da parte superior do braço, do peito ou da parte superior ou inferior das costas. Caso o paciente não tolere o uso do adesivo de 10 cm², uma alternativa terapêutica deve ser buscada pelo médico assistente.

Efeitos colaterais que devem ser acompanhados e discutidos com o médico

  • Donepezila: insônia, náuse, vômitos, diarreia, anerexia, dispepsia, cãibras musculares e fadiga
  • Galantamina: náusea, vômitos, diarreia, anorexia, perda de peso, dor abdominal, dispepsia, flatulência, tontura, cefaleia, depressão, fadiga, insônia e sonolência
  • Rivastigmina: tontura, cefaleia, náusea, vômitos, diarreia, anorexia, fadiga, insônia, confusão e dor abdominal
  • Memantina: cefaleia, cansaço e tontura

Conhecer questões associadas à administração de medicamentos é fundamental para quem cuida e é Cuidado!