Postado 25 de julho de 2026 em Cuidadores, IdososTENA

Começo este capítulo com uma pergunta: por que devemos introduzir o lazer* na nossa vida cotidiana? (*lazer é o tempo que sobra do horário de trabalho para realizar atividades prazerosas).
Fico refletindo sobre isso e posso até afirmar que o lazer é tão importante, que ele nunca deveria se perder na fase adulta pois, o lazer proporciona o estímulo à criatividade, interação entre gerações diferentes, compartilhamento de experiências e muitas outras vantagens.
É um momento em que, conforme a atividade proposta, além de ativar a serotonina individual e trazer boas lembranças, também pode provocar risadas ou o que deixa a vida e aquele momento mais leve e agradável de ser vivido.
Ah a risada! É uma das experiências que podemos compartilhar com os nossos filhos, nossos amigos, nossos cuidadores e nunca abandoná-las.
O lazer é tão importante que ele nos mostra o valor da relação afetiva pois com o envelhecimento acabamos perdendo o contato com as pessoas, seja pelo distanciamento pessoal como pelo distanciamento que a própria vida nos traz, depois dos filhos crescerem e assumirem sua própria vida.
Depois de falar do lazer poeticamente, temos que nos preocupar com as funções de nosso cérebro. Nossos neurônios, reduzem com o passar dos anos e as conexões ou sinapses também sofrem uma perda, diminuindo a comunicação entre as células nervosas. Este processo pode ter consequências de memória e déficit de atenção. Atividades de lazer podem estimular estas conexões e retardar o envelhecimento cerebral.
As dificuldades para realizarmos algum tipo de atividade começam a aparecer, poque o nosso corpo já não é mais o mesmo e com ele a nossa fragilidade aparece e ninguém gosta que outras pessoas percebam que não temos mais o domínio total de nossas capacidades cognitivas, sendo assim temos que tratar de ativar de maneira diversificada os nossos neurônios.
Criar atividades novas que desafiem nosso cérebro, por exemplo:
Lembrar sempre que com o envelhecimento, as vezes as atividades simples que conseguíamos realizar com facilidade, agora vamos precisar de mais tempo.
Durante todo o cuidado devemos estimular a autonomia do indivíduo e lembrar que apesar da Doença de Alzheimer esta pessoa tem uma história de vida que deve ser valorizada. Muitas vezes, estimulá-la a executar tarefas simples que envolvam a profissão que exerceu ao longo da vida, como: ensinar alguém, cantar, assistir filmes de julgamento, costurar peças simples etc. podem ajudar muito a manter a alegria de viver.
Solicitar a ajuda desta pessoa para: lavar a louça ou secar, lavar uma salada, ajudar a fazer o almoço, fazer um bolo, arrumar uma gaveta ou outras tarefas do lar, podem fazer com que ela se sinta útil. Qualquer destas atividades deve ser sob supervisão e auxílio do cuidador. E quando cansar ou não quiser participar, tudo bem, para que isso não se torne uma obrigação e sim uma utilização correta do tempo.
Lembrar sempre que o paciente tem a doença, mas não é a doença, e antes de tudo é um ser humano cheio de vida.
Outro ponto que ajuda aos pacientes relaxarem é o “banho de parque”. Realizar um passeio de 40 minutos entre o verde, sem conversar pedindo que ele respire, pegue nas plantas, sinta o perfume das flores. É uma prática da técnica japonesa de Shinrin Yoku, ou seja, banho de floresta, que busca a conexão com a natureza para reduzir o estresse e melhorar a saúde.
A música é uma ferramenta terapêutica valiosa para pacientes com Alzheimer, com benefícios como a evocação de memória, a diminuição da agitação e a melhora da comunicação e do relacionamento com os cuidadores. A musicoterapia também pode estimular a memória, melhorar a cognição e promover o bem-estar emocional.
Esses benefícios são tão importantes, porque podem despertar memórias de momentos passados, conectando o paciente e fortalecendo a identidade. Pode facilitar a comunicação e a interação entre paciente e seus cuidadores, criando uma atmosfera mais acolhedora e positiva. Pode promover sensação e bem-estar e conforto emocional reduzindo a tristeza e apatia em pacientes de Alzheimer.