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A importância do lazer para idosos com Alzheimer

cuidadora segurando na mão do idoso

Começo este capítulo com uma pergunta: por que devemos introduzir o lazer* na nossa vida cotidiana? (*lazer é o tempo que sobra do horário de trabalho para realizar atividades prazerosas).

Fico refletindo sobre isso e posso até afirmar que o lazer é tão importante, que ele nunca deveria se perder na fase adulta pois, o lazer proporciona o estímulo à criatividade, interação entre gerações diferentes, compartilhamento de experiências e muitas outras vantagens.

É um momento em que, conforme a atividade proposta, além de ativar a serotonina individual e trazer boas lembranças, também pode provocar risadas ou o que deixa a vida e aquele momento mais leve e agradável de ser vivido.

Ah a risada! É uma das experiências que podemos compartilhar com os nossos filhos, nossos amigos, nossos cuidadores e nunca abandoná-las.

O lazer é tão importante que ele nos mostra o valor da relação afetiva pois com o envelhecimento acabamos perdendo o contato com as pessoas, seja pelo distanciamento pessoal como pelo distanciamento que a própria vida nos traz, depois dos filhos crescerem e assumirem sua própria vida.

Depois de falar do lazer poeticamente, temos que nos preocupar com as funções de nosso cérebro. Nossos neurônios, reduzem com o passar dos anos e as conexões ou sinapses também sofrem uma perda, diminuindo a comunicação entre as células nervosas. Este processo pode ter consequências de memória e déficit de atenção. Atividades de lazer podem estimular estas conexões e retardar o envelhecimento cerebral.

As dificuldades para realizarmos algum tipo de atividade começam a aparecer, poque o nosso corpo já não é mais o mesmo e com ele a nossa fragilidade aparece e ninguém gosta que outras pessoas percebam que não temos mais o domínio total de nossas capacidades cognitivas, sendo assim temos que tratar de ativar de maneira diversificada os nossos neurônios.

Como posso fazer isso?

Criar atividades novas que desafiem nosso cérebro, por exemplo:

  • Desafiar pessoas a escreverem ou falarem palavras que sejam antônimos (excelente para jogar em família ou apenas com o cuidador):
    • Homem X Mulher
    • Gordo X Magro
    • Bom X Mau
    • Vida X Morte
    • Frio X Calor
  • Numa folha de sulfite teremos vários números soltos e a pessoa terá que circular o número achar a palavra correspondente a esse número, no meio de várias letras soltas no caça palavras (40 – quarenta).
  • Fazer exercícios simples mesmo quando assistindo televisão. Nunca fique totalmente parada, aproveite para subir um pé e o outro para baixo, virar o pé para o lado direito e o para o lado esquerdo, segurar uma bolinha e apertá-la várias vezes, ou colocar a bolinha no pé para massagear, estimulando a circulação sanguínea. Somos capazes de realizar várias atividades juntas, ou seja, os nossos neurônios conseguem assistir um programa na televisão e fazer um exercício ao mesmo tempo.

Lembrar sempre que com o envelhecimento, as vezes as atividades simples que conseguíamos realizar com facilidade, agora vamos precisar de mais tempo.

Durante todo o cuidado devemos estimular a autonomia do indivíduo e lembrar que apesar da Doença de Alzheimer esta pessoa tem uma história de vida que deve ser valorizada. Muitas vezes, estimulá-la a executar tarefas simples que envolvam a profissão que exerceu ao longo da vida, como: ensinar alguém, cantar, assistir filmes de julgamento, costurar peças simples etc. podem ajudar muito a manter a alegria de viver.

Solicitar a ajuda desta pessoa para: lavar a louça ou secar, lavar uma salada, ajudar a fazer o almoço, fazer um bolo, arrumar uma gaveta ou outras tarefas do lar, podem fazer com que ela se sinta útil. Qualquer destas atividades deve ser sob supervisão e auxílio do cuidador. E quando cansar ou não quiser participar, tudo bem, para que isso não se torne uma obrigação e sim uma utilização correta do tempo.

Lembrar sempre que o paciente tem a doença, mas não é a doença, e antes de tudo é um ser humano cheio de vida.

Outro ponto que ajuda aos pacientes relaxarem é o “banho de parque”. Realizar um passeio de 40 minutos entre o verde, sem conversar pedindo que ele respire, pegue nas plantas, sinta o perfume das flores. É uma prática da técnica japonesa de Shinrin Yoku, ou seja, banho de floresta, que busca a conexão com a natureza para reduzir o estresse e melhorar a saúde.

Os benefícios dessa conexão são

  • Reduz a ansiedade, depressão, promove bem-estar, aumenta a concentração e atenção, melhora o sono, o humor, fortalecimento do sistema imunológico, melhora a saúde cardiovascular.
  • Também reduz os sintomas de doenças crônicas (pressão arterial, diabetes etc.) e aumenta a autoestima e sensação de bem-estar, redução de riscos de doenças neurodegenerativas (Parkinson, Alzheimer e demências). Por último ativa o sistema parassimpático responsável pelo relaxamento.

A música é uma ferramenta terapêutica valiosa para pacientes com Alzheimer, com benefícios como a evocação de memória, a diminuição da agitação e a melhora da comunicação e do relacionamento com os cuidadores. A musicoterapia também pode estimular a memória, melhorar a cognição e promover o bem-estar emocional.

Esses benefícios são tão importantes, porque podem despertar memórias de momentos passados, conectando o paciente e fortalecendo a identidade. Pode facilitar a comunicação e a interação entre paciente e seus cuidadores, criando uma atmosfera mais acolhedora e positiva. Pode promover sensação e bem-estar e conforto emocional reduzindo a tristeza e apatia em pacientes de Alzheimer.