Cuidar de uma pessoa é uma tarefa muito importante, mas bastante cansativa. Muitas vezes tem consequências importantes, tais como: aumento de stress, maior incidência de depressão e ansiedade, pode levar ao aumento do uso de substâncias psicoativas e problemas de saúde, podendo inclusive aumentar a mortalidade destes indivíduos.
A dinâmica familiar se altera e há uma desgaste físico importante pois aquele ente querido passa a exigir maior assistência para atividades de vida diária (AVD), além do desgaste financeiro relacionado.
Cuidados exigem tempo e energia com aumento da carga emocional.
Com a progressão da doença muitas alterações de comportamento e personalidade podem acontecer trazendo momentos de agitação, agressividade, tristeza profunda e outros problemas.
Quando se cuida de alguém, também há uma carga positiva a se considerar. Estas pessoas têm um aumento da autoestima, conseguem aprimorar suas habilidades pessoais, adquirem experiência de vida e sentem satisfação por desenvolver algo com significado ou propósito.
A importância da rede de apoio
É fundamental desenvolvermos uma “Rede de Apoio” (RA) para auxiliar no cuidado. Esta rede é uma união de pessoas em prol de um objetivo comum, pessoas abertas a ajudar o outro sempre que necessário. Essa rede é formada por vínculos e laços criados durante a vida, sendo pessoas que impactam ou impactaram a vida do indivíduo.
Pessoas com Doença de Alzheimer vão se beneficiar desta RA quando houver alterações das funcionalidades, essas pessoas podem promover proteção em momentos difíceis e auxiliar na resolução de problemas. Para fazer parte desta RA, não precisa necessariamente ter um vínculo familiar, podem ser: filhos, netos, sobrinhos, vizinhos, comunidade religiosa, profissionais de saúde, cuidadores e outros.
Segundo o Estatuto do Idoso diz que pessoas acima de 60 anos têm direito a ter uma moradia digna, acompanhados ou não dos familiares, ou em instituições públicas ou privadas. “Sempre que possível, o idoso deve morar sozinho se assim desejar.”
Lembre-se que a velhice é heterogênea e, portanto, cada indivíduo pode ter uma necessidade, uma limitação diferente e condições socioeconômicas distintas.
Alternativas de moradia para idosos
Moradia para idosos independentes
- Residência projetada para atender às necessidades e preferências de idosos que desejam manter sua autonomia e independência. São um ambiente seguro, acessível e adaptado às demandas da terceira idade.
- Podem oferecer muitos serviços e comodidades: refeições, serviços de limpeza, assistência médica básica, atividades sociais e recreativas, além de suporte em caso de emergências.
Assistência domiciliar ou home care
- A atenção domiciliar (AD) é a forma de atenção à saúde oferecida na moradia do paciente e caracterizada por um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação, com garantia da continuidade do cuidado e integrada à Rede de Atenção à Saúde. O programa de atenção domiciliar pode ser variado, conforme a necessidade do paciente.
Cuidadores na residência
- Pode ser muito bom pois o idoso não sai do local que está acostumado e não perde referências importantes e vínculo com a família.
- Infelizmente há dificuldade de manter cuidadores familiares disponíveis e/ou cuidadores profissionais comprometidos, o que atrapalha a manutenção do cuidado.
- Deve haver um acerto em relação as relações familiares, incluindo ambiente, distribuição de tarefas, relacionamentos, aspectos financeiros, emocionais e sociais.
Núcleo de Convivência de Idoso (NCI) ou Centro Dia para Idosos (CDI)
- É uma unidade da assistência social que oferece apoio e cuidados a pessoas idosas e com deficiência, que têm alguma dependência para realizar atividades básicas do dia a dia, como alimentação, higiene e mobilidade.
- O objetivo principal é evitar o isolamento social, a necessidade de acolhimento e a dependência excessiva de cuidadores.
- Esta modalidade não funciona como moradia visto que o idoso tem horário de entrada e saída, sempre durante o dia.
Instituição de Longa Permanência – ILPI
- É um local onde as pessoas idosas que tenham ou não apoio da família podem morar provisoriamente ou de modo definitivo e receber os cuidados que necessitam.
- Também podem ser considerados locais de acolhimento em regime integral para atender idosos em situação de abandono ou negligência, em caso de suspensão temporária ou quebra de vínculo familiar e comunitário.
- Podem ser incluídos idosos com diversas necessidades.
- Infelizmente ainda há muito preconceito pela escolha de manter um idoso em ILPI por conceitos e situações antigas de pessoas mau tratadas ou isoladas em instituições com estrutura e profissionais inadequados.
- Institucionalizar não significa excluir ou segregar o indivíduo. A ILPI deve ser encarada como um local onde os idosos são compreendidos, respeitados e que podem estimular a constituição de identidade e pertencimento.
- A unidade deve envolver um modelo de gestão que envolva o morador, família e equipe multidisciplinar. Manter vínculos familiares deve ser prioridade.
Qualquer que seja a opção de cuidado e moradia, devemos tentar envolver o indivíduo na decisão. O ideal é manter conversas sobre escolhas possíveis na fase do envelhecimento antes que problemas de saúde graves acometam o paciente.