Postado 15 de julho de 2026 em Cuidadores, IdososTENA

A Doença de Alzheimer afeta não só a memória, mas também o comportamento e as emoções. Com o avanço da doença, é comum surgirem atitudes que desafiam quem cuida: agressividade, delírios, alucinações, repetição constante, hipersexualidade, perambulação, isolamento e depressão. Esses comportamentos não são escolhas ou provocações, mas sim sintomas da doença. Compreendê-los é essencial para oferecer um cuidado mais humano e empático.
A agressividade em pessoas com Alzheimer é um dos comportamentos que mais assustam e desafiam os cuidadores e familiares. Gritos, palavrões, tapas, empurrões ou atitudes de rejeição podem surgir repentinamente, mesmo em pessoas que, antes da doença, eram calmas e afetuosas. Essa mudança causa dor e confusão, mas é importante entender: a agressividade não é pessoal, é um sintoma da doença.
O cérebro da pessoa com Alzheimer está perdendo, aos poucos, sua capacidade de compreender o mundo ao redor. O que ela vê, ouve e sente pode não fazer mais sentido, provocando medo, frustração e desorientação. Muitas vezes, a agressividade é uma forma de se defender de algo que ela acredita ser uma ameaça mesmo que, para quem está ao lado, não pareça. Fatores que podem desencadear a agressividade incluem:
Lidar com a agressividade de quem amamos é emocionalmente desgastante. Por isso, o cuidador também precisa de apoio, escuta e descanso. Cuidar de si não é egoísmo – é essencial para continuar cuidando do outro com dignidade e compaixão. A agressividade pode ser apenas uma forma de expressão de um cérebro em sofrimento. Por trás do gesto brusco, ainda existe uma pessoa que precisa ser compreendida, protegida e amada.
À medida que a Doença de Alzheimer avança, é comum que o paciente comece a apresentar delírios, crenças falsas que não correspondem à realidade, mas que para ele parecem absolutamente verdadeiras. Um dos tipos mais frequentes é o delírio persecutório, quando a pessoa acredita que está sendo enganada, vigiada, perseguida ou roubada.
Esses delírios causam grande sofrimento, tanto para o paciente quanto para a família e os cuidadores. Essas acusações não são maldade ou manipulação: são efeitos da degeneração cerebral, que afeta a memória, o raciocínio e a percepção da realidade.
É comum ouvirmos frases como:
A pessoa com Alzheimer perde a capacidade de compreender onde está, quem são as pessoas ao seu redor e o que está acontecendo. Em meio à confusão mental, cria explicações distorcidas para tentar entender o que sente e percebe. Quando não encontra seus objetos (que podem ter sido guardados ou esquecidos), por exemplo, ela pode concluir que foram roubados. A sensação constante de ameaça é angustiante e pode levar a comportamentos de desconfiança, agressividade ou isolamento.
A Doença de Alzheimer é marcada por perdas cognitivas progressivas, como a memória, o raciocínio e a linguagem. No entanto, em estágios mais avançados, ela também pode afetar a forma como a pessoa percebe a realidade, provocando alucinações sensoriais sem base real, como ver, ouvir ou sentir coisas que não existem.
Pacientes com Alzheimer podem afirmar que estão vendo pessoas desconhecidas dentro de casa, ouvindo vozes, vendo insetos nas paredes ou acreditando que há alguém os observando. Essas alucinações visuais e auditivas não são invenções ou mentiras: são vivências reais para quem as experimenta, causadas pelas alterações no cérebro.
Esses episódios podem ser assustadores, tanto para quem sofre quanto para os familiares. É comum que a pessoa se sinta ameaçada, assustada ou tente “fugir” de algo que vê ou ouve. O ambiente se torna confuso, inseguro e muitas vezes hostil aos olhos de quem já não consegue diferenciar o real do imaginário.
Além da própria evolução da doença, as alucinações podem ser agravadas por:
As alucinações não diminuem o valor ou a dignidade da pessoa com Alzheimer. Pelo contrário, exigem de nós mais empatia, paciência e cuidado. O mundo que ela enxerga pode estar distorcido, mas o amor que oferecemos pode ser real, constante e transformador.
Entre os comportamentos comuns em pessoas com Alzheimer, a perambulação ou deambulação se destaca por ser, ao mesmo tempo, frequente e perigosa. Trata-se do hábito de andar sem rumo, muitas vezes repetidamente, sem um objetivo claro, ou até tentar sair de casa sozinho, colocando-se em risco. Para a família e os cuidadores, esse comportamento pode parecer inquietação ou “teimosia”, mas na verdade, é um reflexo da desorientação cognitiva causada pela doença. A pessoa pode estar procurando por algo ou alguém do passado, tentando “voltar para casa” mesmo estando nela, ou tentando resolver uma ansiedade interna que ela não consegue nomear.
A perambulação pode acontecer por diversos motivos:
A pessoa com Alzheimer que caminha sem rumo está, muitas vezes, tentando se encontrar em meio à confusão de sua mente. Mais do que conter, é preciso compreender e proteger. Com paciência, empatia e estratégias certas, é possível acolher esse comportamento com segurança e respeito.
Um dos comportamentos mais comuns e muitas vezes desgastantes em pessoas com Alzheimer é a repetição constante de perguntas, frases, histórias ou ações. O paciente pode perguntar dezenas de vezes a mesma coisa em poucos minutos, repetir um gesto inúmeras vezes ou contar a mesma história como se fosse a primeira vez.
Para quem cuida, esse comportamento pode parecer insistente, “chato” ou até provocador. No entanto, é essencial lembrar: a repetição é uma manifestação da doença, não um ato consciente. O cérebro da pessoa com Alzheimer está perdendo a capacidade de armazenar novas informações. Por isso, ela esquece que já perguntou, já ouviu a resposta, já fez ou já disse algo.
Essa repetição também pode surgir por ansiedade, insegurança, tédio ou medo. Em muitos casos, repetir é uma forma de tentar entender o que está acontecendo ao seu redor ou de buscar conforto num mundo que ficou confuso e imprevisível.
A repetição é, muitas vezes, um eco da mente tentando se agarrar a algo familiar e seguro. Cabe a nós, como cuidadores, familiares e profissionais, oferecer essa segurança com presença, paciência e amor.
A Doença de Alzheimer pode causar uma série de mudanças no comportamento, e entre elas está a hipersexualidade, um aumento incomum no interesse por comportamentos de cunho sexual. Esse sintoma, embora menos falado, é real e pode surgir em alguns pacientes, especialmente nos estágios moderados e avançados da doença.
A hipersexualidade pode se manifestar de várias formas: toques inapropriados, comentários de teor sexual, gestos explícitos, exposição do corpo, ou até tentativas de se aproximar sexualmente de outras pessoas. Esse comportamento pode ser dirigido a cônjuges, familiares, cuidadores ou até desconhecidos, gerando constrangimento, desconforto e dificuldade para quem está ao redor.
É fundamental entender que essas atitudes não são intencionais nem maliciosas. Elas são causadas pelas alterações cerebrais provocadas pelo Alzheimer, que afetam o julgamento, o autocontrole, o senso de espaço pessoal e a percepção social. O paciente já não reconhece limites ou não entende o impacto do que está fazendo.
Mesmo diante de comportamentos difíceis, é essencial lembrar que a pessoa com Alzheimer não é definida pela doença nem pelo sintoma. Por trás da hipersexualidade, existe alguém vulnerável, que precisa de compreensão, proteção e respeito. Falar sobre esse tema com abertura e sem tabus é um passo importante para oferecer um cuidado mais humano, ético e eficaz tanto para o paciente quanto para quem cuida.
O isolamento social é um dos comportamentos que mais marcam o avanço da Doença de Alzheimer. A pessoa começa a se afastar do convívio familiar, evita conversas, perde interesse por atividades que antes gostava e passa longos períodos em silêncio ou sozinha, mesmo estando acompanhada.
Esse isolamento não é, na maioria das vezes, uma escolha consciente. É o reflexo de uma mente confusa, cansada e sobrecarregada, que começa a ter dificuldades para acompanhar o ritmo das interações, compreender o que está acontecendo ao redor ou encontrar sentido nas palavras e nos gestos dos outros. Com a perda de memória e das habilidades cognitivas, o mundo vai ficando estranho e difícil de entender. A linguagem falha, a insegurança cresce, e a pessoa pode se sentir exposta, envergonhada ou frustrada por não conseguir se comunicar como antes. Em vez de se arriscar ao erro, ela se cala e se isola.
Além disso, o isolamento também pode estar ligado a sintomas depressivos, medo, falta de estímulos ou até ao desinteresse pela vida que a doença pode trazer em seus estágios mais avançados.
O isolamento em pacientes com Alzheimer é, muitas vezes, um pedido silencioso de acolhimento. Não é desinteresse pela vida é medo de não pertencer mais ao que antes fazia sentido. Cabe a nós, que cuidamos, manter viva a conexão emocional. Porque o que realmente transforma é o afeto que permanece mesmo quando as palavras se vão.
A Doença de Alzheimer é conhecida por afetar a memória e as funções cognitivas, mas o sofrimento emocional também faz parte dessa jornada e a depressão é uma das manifestações mais comuns. Muitas pessoas com Alzheimer desenvolvem sintomas depressivos, que podem surgir desde os estágios iniciais da doença e se intensificar com o tempo.
Diferente da tristeza passageira, a depressão no paciente com Alzheimer é profunda, persistente e silenciosa. Ela pode se manifestar como apatia, isolamento, choro frequente, irritabilidade, perda de interesse por atividades, alterações no sono e no apetite, além de expressões de desvalorização ou desesperança: “Não sirvo para mais nada.” “Estou atrapalhando.” “Quero ir embora.”
É importante lembrar que, mesmo com os prejuízos da memória, a pessoa com Alzheimer ainda sente, percebe, sofre e precisa de acolhimento emocional. Muitas vezes, ela se dá conta das perdas que está enfrentando e isso gera medo, frustração, vergonha e tristeza. A confusão mental também aumenta a sensação de insegurança e abandono.
A depressão não é uma fraqueza, mas uma condição que precisa ser olhada com atenção ainda mais em quem já enfrenta a fragilidade do Alzheimer. Por trás do olhar triste, existe uma pessoa que ainda sente amor, medo, carinho e saudade da própria história. Cuidar da depressão é cuidar da dignidade, da vida e do afeto que ainda resistem, mesmo em meio ao esquecimento.