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Incontinência urinária e fecal na doença de Alzheimer

Por: Maria Alice e Patricia Fera

Com o avanço do quadro clínico da doença de Alzheimer, é comum o surgimento de manifestações secundárias, entre as quais, a incontinência urinária e a incontinência fecal, se apresentam como um desafio significativo tanto para a pessoa quanto para quem cuida. 

Essas alterações no controle esfincteriano não apenas refletem a deterioração neurológica associada à doença, mas também contribuem para o aumento da dependência funcional, do risco de institucionalização e da sobrecarga familiar e profissional no cuidado. 

Compreender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento da incontinência em idosos com Alzheimer é fundamental para a implementação de estratégias eficazes de manejo e para a promoção de uma abordagem humanizada.

Incontinência urinária

A incontinência urinária (IU) é a perda involuntária de urina, sendo uma das condições mais frequentes nas fases moderada e avançada da Doença de Alzheimer. 

A IU pode se manifestar de diferentes formas. A intensidade da perda urinária varia entre leve, moderada e severa e considera o volume de urina e a frequência com a qual as perdas ocorrem. Na incontinência leve, a perda urinária é em gotas e de frequência esporádica ou algumas vezes na semana. Na incontinência moderada ocorre perda de pequenos jatos de urina de forma mais frequente, como várias vezes na semana. Já na incontinência severa, a pessoa perde urina em jatos várias vezes ao dia. Com a progressão da doença, a incontinência urinária se torna total. 

A perda do controle urinário está diretamente relacionada à deterioração das funções cognitivas. A doença pode comprometer áreas cerebrais relacionadas ao controle da bexiga e outras responsáveis pelo planejamento e execução de ações voluntárias, dificultando a resposta adequada ao estímulo urinário.

Além disso, a pessoa pode esquecer a localização do banheiro ou mesmo como usar o vaso sanitário. Somado a isso, fatores como a imobilidade, o uso de medicamentos anticolinesterásicos (que podem aumentar a contração do músculo da bexiga) e sedativos, infecções urinárias recorrentes e a desorganização do ambiente doméstico ou institucional podem agravar a incontinência. 

É importante destacar que, diferentemente de causas exclusivamente físicas, a incontinência em pessoas com Alzheimer é frequentemente multifatorial e exige uma abordagem ampliada.

Incontinência fecal

A incontinência fecal (IF) é a perda não intencional de fezes, líquidos e / ou gases que pode afetar significativamente a qualidade de vida das pessoas. Embora menos discutida que a urinária, é uma condição igualmente desafiadora e impactante para idosos com Doença de Alzheimer.

A IF pode ser classificada considerando o tipo de conteúdo da perda involuntária (fezes sólidas, fezes líquidas ou muco e gases) e sintomas associados. A IF passiva ocorre quando a pessoa não sente necessidade de evacuar e não percebe a perda. Já a incontinência por urgência ocorre quando a perda é precedida por um desejo intenso e súbito de evacuar. 

A gravidade da IF e o impacto na qualidade de vida dependem de fatores como o tipo de incontinência, a quantidade e a frequência com a qual ocorre. Pessoas com urgência extrema frequentemente reduzem suas atividades diárias e tem maior impacto social. 

Idosos com demência por doença de Alzheimer podem apresentar incontinência fecal de gravidade progressiva conforme o comprometimento neurológico se agrava. Na fase moderada, podem perder a capacidade de controlar os esfíncteres anais e de processar os sinais que indicam a necessidade de evacuação. Medicamentos anticolinesterásicos, frequentemente utilizados, podem causar alterações gastrintestinais incluindo diarreia, e podem piorar a incontinência fecal. O comprometimento da mobilidade e da comunicação agravam a dificuldade na resposta a necessidade de evacuar. Na fase avançada os idosos com Alzheimer apresentam um comprometimento cognitivo e físico tão significativo que a incontinência pode ser total. 

Manejo na incontinência

A incontinência urinária e fecal em idosos com Doença de Alzheimer representa um dos muitos desafios que acompanham a progressão da demência, impactando diretamente a autonomia, o conforto e a dignidade do paciente. 

Essas condições não devem ser vistas como eventos isolados, mas como manifestações complexas que envolvem fatores neurológicos, funcionais, emocionais e ambientais. O cuidado com esses idosos exige sensibilidade e delicadeza além de uma abordagem planejada. 

Orientações podem ajudar no manejo das incontinências

  • Perguntar frequentemente se o idoso precisa utilizar o banheiro 
  • Estabelecer intervalos programados para idas ao banheiro, a cada 3 ou 4 horas para urinar
  • Sugerir idas ao banheiro antes de eventos previsíveis como antes das refeições, antes de sair de casa e antes de dormir. 
  • Utilizar proteção adequada, como produtos absorventes específicos para perda urinária, para evitar acidentes com possíveis vazamentos antes de chegar ao banheiro, situação que, além de constrangedora, aumenta o risco de quedas.  
  • Selecionar o produto absorvente, considerando a intensidade da perda urinária. Nos casos de incontinência leve a moderada, podem ser utilizados absorventes específicos para escapes de urina, disponíveis em diferentes tamanhos, nos modelos feminino e masculino. Se a perda urinária for mais frequente e de maior volume, pode-se considerar o uso dos modelos pants, que vestem como calcinha ou cueca, proporcionando conforto e segurança, além de facilitar o uso do vaso sanitário. No caso de pessoas acamadas, é indicado o uso de fraldas para adultos e idosos, que absorvem rapidamente a urina, mantendo a umidade longe da pele. 
  • Registrar os horários de evacuação para identificar padrões. Lembre-se que, no caso de evacuações, a troca do produto absorvente deve ser imediata.
  • Perceber sinais não verbais de desejo de urinar ou evacuar 
  • Facilitar o acesso ao banheiro mantendo o caminho livre de obstáculos, utilizando iluminação adequada e deixando a porta destrancada.
  • Sugerir uso de roupas fáceis de remover, como calças com elástico.
  • Adaptar o banheiro com barras de apoio e utilizar assento elevado para o vaso sanitário
  • Reforçar positivamente caso aceite ir ao banheiro quando sugerido
  • Diante da perda de urina ou fezes, jamais “dar bronca” ou utilizar de punições. 

Dermatite associada a Incontinência

A Dermatite Associada a Incontinência – DAI, conhecida popularmente como “assaduras”, é uma inflamação da pele ocasionada pela umidade que atinge as nádegas, parte interna das coxas, genitais e região mais baixa do abdômen, causada pelo contato da pele com fezes e urina em ambiente úmido, quente e fechado. É uma complicação que pode ser evitada através de boas práticas de higiene e cuidados com a pele. 

Um cuidado fundamental é a adaptação de produtos absorventes que garantam proteção, conforto e bem-estar no dia a dia. 

Para isso é importante reconhecer características que imprimem qualidade aos produtos, sendo uma delas a velocidade da absorção. Quanto mais rápida a absorção, menor a exposição da pele à umidade e aos riscos relacionados a ela. O uso de materiais respiráveis, presença de barreiras antivazamento e tecnologia antiodor são outras características que aprimoram os produtos absorventes. 

A prevenção da Dermatite Associada a Incontinência é alcançada com uma rotina de três passos, que objetivam manter a pele seca, limpa e protegida

rotina de cuidados em 3 passos

Para manter a pele seca, é fundamental a adoção de produtos absorventes de alta qualidade, ou seja, excelente capacidade e velocidade de absorção; cobertura externa respirável; ajuste confortável ao corpo; controle de odor. 

A higiene íntima frequente deve ser realizada com água e sabonete líquido ou com a utilização de toalhas umedecidas desenvolvidas para adultos e idosos, que limpam e hidratam a pele.

Já sua proteção pode ser obtida através da aplicação de uma fina camada de creme barreira na região genital, que forma uma película protetora e impede o contato direto de fezes e urina com a pele. 

Produtos absorventes devem ser substituídos sempre que estiverem úmidos. No caso de uso de fraldas, a troca é recomendada em média a cada quatro a seis horas e, imediatamente, sempre que houver eliminação de fezes.  

É importante ressaltar, que a prática da utilização de uma fralda dentro da outra é absolutamente contraindicada, porque aumenta o calor local e o risco de fricção na pele, e consequentemente, há maior risco de lesões cutâneas. Nestes casos, o ideal é utilizar fraldas de alta performance, com dupla camada de absorção, cobertura externa respirável, maior capacidade e velocidade de absorção, que juntos, contribuem para prevenir lesões da pele, como a Dermatite Associada à Incontinência.