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Guia do cuidador: a importância da alimentação para o idoso

idoso comendo na mesa e sorrindo para foto

A alimentação adequada é fundamental para a saúde e o bem-estar dos idosos, contribuindo para uma vida mais ativa, saudável e com maior qualidade de vida. No entanto, diversos desafios podem dificultar uma alimentação nutritiva na terceira idade, especialmente em casos de idosos com Alzheimer.

Desafios na mastigação e percepção sensorial

Entre as dificuldades mais comuns estão as lesões orais, a ausência de dentes ou a dificuldade de mastigação, que tornam o ato de comer mais complicado. Além disso, alimentos com consistência de difícil deglutição podem representar riscos e desestimular o consumo.

Muitos idosos com Alzheimer apresentam aumento da preferência por alimentos úmidos, pastosos e líquidos, pois esses são mais fáceis de engolir. Outro aspecto importante é a mudança na percepção sensorial:

  • Esses idosos podem ter dificuldade em perceber a temperatura do alimento (quente ou frio);
  • Dificuldade com sabores como amargo ou azedo (o que pode levar ao consumo de itens estragados) ou a quantidade adequada de comida;
  • Podem apresentar preferência por alimentos mais salgados ou mais doces, o que pode afetar a qualidade da alimentação.

Sobre a doença de Alzheimer e seus desdobramentos

A importância da hidratação

A hidratação da pessoa idosa também é um grande desafio. Em geral, esses indivíduos não sentem sede porque o centro regulador da sede no cérebro, que envia o sinal de que precisamos beber água, fica menos sensível com a idade.

É fundamental que a água seja oferecida várias vezes ao dia, mesmo que em pequenas doses, pois os idosos tendem a perder mais líquidos pela pele ou pela respiração. Além disso, o organismo deles pode não funcionar tão bem na absorção e distribuição de líquidos, o que aumenta o risco de desidratação.

Riscos da desidratação e alternativas

A desidratação pode ter consequências desastrosas tais como:

  • Confusão mental;
  • Fadiga e tonturas;
  • Queda de pressão arterial;
  • Risco de quedas.

Muitas vezes, a água pode ser substituída por sucos (de preferência sem açúcar), chás ou frutas que auxiliam na hidratação como: melancia, melão, abacaxi, mamão, laranja, morango e acerola. Além de hidratarem, essas frutas fornecem vitaminas e nutrientes importantes para a saúde.

Dicas para estimular pessoas com Alzheimer.

Compreendendo a disfagia

Algumas pessoas idosas podem apresentar disfagia, que é a dificuldade de engolir alimentos e líquidos. Essa condição pode fazer com que o indivíduo sinta que a comida ou bebida “arranha” a garganta ou fica “presa” ao passar, além de relatar que machucou a região ao deglutir. É importante destacar que a disfagia é um sintoma, não uma doença, e pode estar relacionada a diversas condições.

Os sintomas mais comuns da disfagia incluem:

  • Tosse ou engasgo durante a alimentação;
  • Excesso de salivação;
  • Problemas na fala;
  • Dor ou impossibilidade de engolir;
  • Regurgitação e azia frequente.

Esses sinais indicam que a pessoa pode estar tendo dificuldades ao engolir, o que aumenta o risco de engasgos e de ingestão inadequada de alimentos. Tudo isso pode reduzir a ingestão calórica e a qualidade do que é consumido, sendo necessário, muitas vezes, enriquecer os alimentos para garantir que o idoso receba os nutrientes essenciais.

Neste caso, é importante uma consultoria com nutricionista e/ou fonoaudiólogo que podem sugerir dietas direcionadas, exercícios de deglutição e alertar para situações de risco.

O papel do ambiente e do cuidador

Outro fator que influencia na alimentação é o ambiente: ambientes estressantes, com barulhos ou pressa, além da impaciência quanto à demora para se alimentar, podem prejudicar o momento da refeição.

Por isso, é fundamental que familiares, cuidadores e profissionais de saúde estejam atentos a essas dificuldades. Adaptações na preparação das refeições, como alimentos mais macios, pastosos ou líquidos, além de criar um ambiente tranquilo e acolhedor, podem fazer toda a diferença. Incentivar a alimentação de forma paciente, carinhosa e com atenção às percepções sensoriais e sinais de
disfagia ajuda a promover uma experiência mais prazerosa e segura para os idosos, especialmente aqueles com Alzheimer.

Manter esta pessoa na rotina alimentar da casa é muito importante, pois o contato com familiares ou outros idosos pode melhorar a autoestima, incentivar conversas, melhorar a aceitação do alimento. Além disto, o respeito aos hábitos e gostos individuais é fundamental para uma vida de maior qualidade. Assim, podemos garantir que eles mantenham uma alimentação equilibrada, fortalecendo sua saúde, disposição e bem-estar.

Aproveite e leia também: Incontinência urinária e fecal no idoso com Alzheimer

Conteúdo elaborado por:

  • Claudia Vallone Silva
    Enfermeira com especialização e mestrado em Epidemiologia e Ciências da Saúde
  • Erika Cristina Figueira Lopes
    Psicóloga com especialização em Gerontologia
  • Maria Alice Lelis
    Enfermeira com especialização e mestrado na área de Incontinência Urinária
  • Maria Elizabeth Bueno Vasconcellos
    Psicóloga e pedagoga com especialização em Gerontologia
  • Natália Barros
    Enfermeira com especialização em Dermatologia e Ostomia
  • Patrícia Fera
    Enfermeira