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Guia do cuidador: a importância da higiene no idoso com Alzheimer

pessoa lavando cabelo do idoso na pia

Os cuidados de higiene pessoal envolvem a atenção ao corpo, boca, unhas, barba e cabelo. São parte importante do dia a dia do cuidado. Sempre que possível, estimule que o idoso faça suas atividades sozinho, apenas sob supervisão e auxílio se necessário.

Caso não seja possível, a higiene bucal ou oral, o banho corporal e até a hidratação da pele, que fazem parte do asseio cotidiano, devem ser supervisionados ou realizados pelo familiar ou cuidador.

Observação e prevenção

No momento desta atividade, aproveite para observar todos os segmentos do corpo da pessoa idosa e caso perceba alterações como:

  • Vermelhidão da pele;
  • Início de uma lesão por pressão;
  • Alergia ou coceira;
  • Micose nas unhas ou piolho.

Nesses casos, deve-se procurar ajuda médica, não passar nenhum produto sem orientação, notificar a família solicitando atendimento especializado e manter maior atenção e cuidados com a pessoa para prevenir novos episódios ou identificar precocemente problemas.

Higiene bucal: saúde e bem-estar

A higiene bucal é um hábito saudável e agradável que deve ser mantido ao longo de toda a vida. Alterações da mucosa oral, perda de dentes, próteses mal ajustadas, gengivites (inflamação das gengivas) e diminuição do fluxo salivar são fatores que podem ocasionar infecções na cavidade oral e redução do consumo de alimentos.

Como realizar o cuidado com a boca:

O cuidado com a boca envolve a higiene dos dentes, gengivas, bochechas (mucosa oral), língua, além da lavagem das próteses (dentaduras e pontes).

  • Ferramentas: Podem ser utilizadas escovas pequenas com cerdas macias ou, pode ser feita com uma gaze envolvida no dedo ou com escovas “tipo dedeira”. Escovas elétricas que jorram água ajudam muito na remoção da sujidade.
  • Próteses: Caso o idoso utilize prótese, esta deve ser retirada e higienizada.
  • Atenção: Observe a aceitação alimentar, pois às vezes ferimentos ou má fixação da prótese podem prejudicar a alimentação.

O desafio do banho e a resistência

Apesar de todos estes pontos positivos, muitas vezes observa-se uma resistência por parte de pessoas idosas a tomar banho. Quando se trata de pessoas com Alzheimer, ainda mais. Esta queixa realmente é muito frequente e várias causas podem ser listadas para a recusa do banho. Por exemplo:

  • Vergonha;
  • Sentir-se deprimida ou sentir dores;
  • Insegurança;
  • Falta de hábito ou não sentir necessidade;
  • Dificuldade para se locomover, frio, etc.

O mais importante é o cuidador tentar identificar as causas e pacientemente tentar resolver a situação.

Entenda sobre a importância da alimentação no idoso

Estratégias para o momento do banho

No caso do banho, conhecer a história de vida e hábitos da pessoa a ser cuidada faz toda diferença para que o momento de higiene seja organizado na rotina. Criar um vínculo é um ingrediente essencial para confiança e receptividade da pessoa cuidada. Começar por zonas neutras (mãos e braços, pés e pernas) para finalizar em zonas sensíveis (rosto e partes íntimas).

Dicas para contornar a resistência:

  • Seja parceiro, tenha sensibilidade;
  • Respeitar o momento íntimo e seus costumes;
  • Lembrar que confiança se conquista;
  • Manter um banheiro seguro, com barras e cadeiras higiênicas;
  • Padronizar um horário para que se torne uma rotina;
  • Realizar próximo a uma atividade prazerosa;
  • Auxiliar a autonomia na fase inicial da doença, marcando utensílios com adesivos com letras grandes (sabonete e xampu);
  • Utilizar música com sons de natureza (reduz agressividade);
  • Dar reforço positivo ao término do banho;
  • Respeitar a recusa e propor outro horário (manter o bom senso).

É importante afirmar que o banho diário pode causar prazer para alguns indivíduos, mas não é obrigatório. Se realmente houver a recusa enérgica, pode-se “negociar” e “adiar” a ação, realizando apenas a higiene íntima do paciente.

Saiba como dividir as tarefas do cuidado do idoso entre familiares

Banho no leito e cuidados específicos

Infelizmente, existe uma história natural do cuidado para pessoas com Doença de Alzheimer que se inicia com total autonomia e independência (banho de chuveiro) até a dependência total (banho no leito).

O banho no leito deve ser realizado apenas quando a pessoa idosa é totalmente dependente, apresentando muita dificuldade em se mover ou quando é muito pesada e encontra-se numa fase de muita dificuldade de movimentação.

Ao realizar o banho no leito, lembre-se de:

  • Aproveitar o momento para fazer movimentos com o corpo e massagens para estimular a circulação sanguínea e evitar atrofia muscular;
  • Manter o ambiente seguro com iluminação adequada e evitando correntes de ar;
  • Providenciar troca dos lençóis esticando-os de maneira criteriosa para evitar qualquer ferimento na pele;
  • Observar o estado de conservação dos colchões, providenciando a troca quando necessário;
  • Explicar o procedimento à pessoa acamada para que ela colabore e não se assuste;
  • Cobrir o colchão com protetor impermeável antes de iniciar o banho.

Resumindo, mantenha o idoso limpo, hidrate sua pele (pois, além de proteger contra lesões, a massagem torna-se bastante agradável para ele) e mantenha-o em posição confortável e segura caso seja acamado.

Cuidados humanizados de higiene devem ser sempre realizados independente da fase da doença de Alzheimer!

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Conteúdo elaborado por:

  • Claudia Vallone Silva
    Enfermeira com especialização e mestrado em Epidemiologia e Ciências da Saúde
  • Erika Cristina Figueira Lopes
    Psicóloga com especialização em Gerontologia
  • Maria Alice Lelis
    Enfermeira com especialização e mestrado na área de Incontinência Urinária
  • Maria Elizabeth Bueno Vasconcellos
    Psicóloga e pedagoga com especialização em Gerontologia
  • Natália Barros
    Enfermeira com especialização em Dermatologia e Ostomia
  • Patrícia Fera
    Enfermeira